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Raquel Faria

Risco de recessão

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PUBLICADO EM Fri Jun 08 03:00:00 BRT 2018

Risco de recessão

A deterioração das expectativas econômicas no Brasil impressiona pela rapidez e intensidade. O país se recuperava, ainda que lentamente, até a virada do mercado externo em maio, quando a movimentação de capitais iniciou uma desvalorização acentuada do real. A greve dos caminhões colocou mais sombras e incertezas no cenário ao criar tremendo impasse em torno dos preços dos combustíveis. Nos últimos dias, vários indicadores que permitem projetar o futuro vieram negativos, inclusive os relacionados a emprego. As empresas estão levando o pé ao freio, o consumidor ficou mais cauteloso. O quadro é de estagnação, ainda, mas ninguém se engane: o Brasil pode cair de novo na recessão. Se já não caiu neste trimestre.

Choque de custos

A recaída do Brasil na recessão pode se tornar inevitável pela necessidade de adaptação das empresas e dos prestadores de serviços à explosão dos custos de produção. Diante da demanda interna fraca, como mostrou o caso dos caminhoneiros, muito poucos conseguem repassar toda a alta dos custos ao cliente. Agora, como antes, o jeito vai ser absorver ao menos parte do choque, compensando com ajustes nas despesas. As empresas, governos e famílias brasileiras achavam que já tinham cortado tudo o que podiam. Pois, provavelmente, teremos que arrochar ainda mais o cinto.

Sem combustível

O dinheiro anda escasso para todos. Mesmo os candidatos ricos ou com acesso a recursos não podem sair gastando para acelerar atividades, pois a legislação impõe um teto baixo para despesas – apenas R$ 14 milhões para governador. Quem tem grana está poupando agora para gastar no auge da propaganda eleitoral. No mais, há falta do combustível principal de toda eleição: a energia humana. A maioria dos eleitores não reage a nada. Os candidatos se deparam com um paredão de indiferença e rejeição.

Definidos

Dinis Pinheiro (SD), ex-presidente da ALMG, bateu o martelo sobre a sua candidatura: disputará o Senado segundo uma nota que distribuiu ontem à imprensa. Mesmo rumo está tomando o ex-prefeito de Juiz de Fora, Bruno Siqueira, que se lançará para senador amanhã em evento na sua cidade com presença de caciques estaduais e nacionais do MDB.

A segunda onda

Cotado ontem a R$ 3,92, o dólar vai voltando aos níveis do início de 2016, quando chegou a R$ 4,1. À época botou-se a culpa no governo Dilma. Mas, na verdade, a desvalorização do real refletiu a decisão do Federal Reserve (Fed), anunciada no final de 2014 e praticada nos meses seguintes, de interromper sua política de compra de ativos conhecida como Quantitative Easing (QE), que injetou trilhões nos mercados durante anos. A redução da oferta de dólares gerou uma onda de desvalorização de moedas emergentes: a primeira. Já em 2017, depois de muita recessão e altas dos juros internos, o real recuperou valor e se estabilizou em torno de R$ 3. Agora começou a segunda onda de depreciação, desta vez provocada pela alta dos juros nos EUA. Como antes, o câmbio irá oscilar muito até se estabizar. E ninguém se engane: o dólar não voltará tão cedo aos R$ 3; tende a parar mais perto de R$ 4, quando parar. E tome recessão até o real ficar de novo estável.

Perfil baixo

Anastasia está seguindo hoje para a Zona da Mata; João Batista, da Rede, vai participar de um debate no fim de semana no Triângulo; Pimentel segue tocando a agenda de “entregas” (viaturas, ambulâncias, etc). Parado, ninguém está. Mas, os candidatos estão se movendo pouco; mantém atividades mínimas.

FOTO: Anna Castelo Branco/Rede Fotonovela

Maria Carolina e Cássio Mota.

Não é o chuchu

Desde 1994, a essa altura, todos os presidenciáveis tucanos apareciam nos primeiros lugares das pesquisas. Entende-se a frustração no PSDB com o desempenho pífio de Alckmin. Mas, o problema da campanha tucana não está no candidato. Alckmin foi o político que governou por mais tempo e venceu mais eleições em São Paulo. Em 2006, chegou ao segundo turno com Lula. Se hoje ele não sobe nas pesquisas, certamente não é porque perdeu habilidades. O problema dele não é ser ‘chuchu’ e sim carregar uma bola de ferro nos pés, que é o partido. Por mais que tente, Alckmin não pode descolar sua imagem do governismo por causa do PSDB, o aliado mais fiel de Temer no Congresso e um dos membros da coalisão temerista.

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