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Ricardo Corrêa

PT e Bolsonaro agradecem

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PUBLICADO EM 10/03/18 - 04h00

Já chega perto de 20 o número de pré-candidatos à Presidência da República nas eleições de outubro deste ano. Algo muito próximo do que vimos na disputa de 1989, quando 22 nomes concorreram ao cargo na primeira eleição direta após o regime militar. Ao contrário, porém, daquela época, o número alto de candidatos não necessariamente tem o poder de embaralhar a disputa e torná-la imprevisível.

De fato é muito difícil, no cenário atual, dizer quem vai ganhar o jogo, mas menos pela quantidade de candidatos e mais por outros fatores. As questões jurídicas envolvendo a candidatura de Lula e o fato de termos no poder o presidente mais impopular da história é que deixam a disputa sem um favorito e, consequentemente, geram a profusão de candidaturas ao comando do país.

Mas, ao contrário de deixar a disputa mais aberta, a presença de um número muito elevado de candidatos tende a fortalecer dois projetos e tornar um segundo turno entre eles cada vez mais provável. Uma disputa cheia de caras tende a beneficiar o PT e a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), atuais líderes nas pesquisas de intenção de voto.

É fácil explicar o fenômeno. Com ou sem Lula, o PT tem uma parcela próxima de 15% do eleitorado. São os petistas e simpatizantes que votarão na legenda qualquer que seja o candidato. Se Lula conseguir o milagre de se livrar da Ficha Limpa e puder concorrer, sua presença no segundo turno é certa. Mas, ainda que não consiga, seu candidato tende a ter uma votação mínima nessa casa de 15% para mais.

De outro lado, Bolsonaro também tem seus simpatizantes fiéis. São pessoas que fazem campanha de graça na internet e que não abandonarão aquele que chamam de “mito”, independentemente de qual nome venha a aparecer no cenário eleitoral. Certamente, Bolsonaro tem um piso acima dos 10%. Talvez, próximo ao piso dos petistas.

Assim, para eles, uma quantidade maior tende a garantir um segundo turno com mais facilidade. Se fossem quatro ou cinco candidatos apenas, seria impossível ir para o segundo turno com menos de 20% dos votos. Com mais de 15 nomes na disputa, isso é perfeitamente possível. Imaginando que Rodrigo Maia (DEM), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (PSD) e Alvaro Dias (Podemos), por exemplo, possam dividir votos de um lado, e Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Marina Silva (Rede) possam concorrer por outra parcela, é difícil imaginar que alguém conseguiria alcançar um patamar muito acima de 10%.

Para que o PT e Bolsonaro fiquem de fora do segundo turno em um cenário tão plural seria preciso que alguém rapidamente conseguisse se desvencilhar dos outros, despontando com uma terceira via. Enquanto forem mais de dez candidatos lutando por esse título, ninguém conseguirá desbancar os dois líderes das pesquisas.

Se conseguissem ir juntos para o segundo turno, PT e Bolsonaro não teriam do que reclamar. Um tem mais chance exatamente contra o outro. Como quase todo mundo que não é petista nem bolsonarista tem medo desses dois projetos, as rejeições praticamente se igualam e a disputa ficaria aberta.

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