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Vida Saudável

Para quem cuida do Alzheimer

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PUBLICADO EM 12/05/18 - 03h00

Há mais de duas décadas acompanhando diariamente idosos e suas famílias, tenho presenciado com frequência um alto índice de transtornos mentais, como ansiedade e depressão, entre outras doenças, que acometem os cuidadores de idosos, em especial aqueles que cuidam de portadores de quadros demenciais como ocorrem na Doença de Alzheimer (DA). Mas por que estes cuidadores merecem também um olhar mais atento? Eles estão adoecendo cada vez mais. 

No Brasil, geralmente os cuidadores são pessoas da família, especialmente mulheres que residem no mesmo domicílio e se tornam as cuidadoras de seus maridos, pais etc. Entretanto, em quase 70% dos casos, os cuidadores prestam esses serviços sem nenhum tipo de ajuda. A faixa etária de 59% dos cuidadores está acima de 50 anos e 41% tem mais de 60 anos. Isso nos mostra que pessoas idosas estão cuidando de idosos. As condições físicas desses cuidadores nos leva a pensar que são doentes em potencial e que sua capacidade funcional está constantemente em risco. Queixas como dores lombares, ansiedade e depressão, hipertensão arterial, diabetes, entre outras, são uma constante entre os cuidadores. Cuidar de um indivíduo idoso e incapacitado durante 24 horas sem pausa não é tarefa para uma mulher sozinha, geralmente com mais de 50 anos, sem apoios nem serviços que possam atender às suas necessidades.

Recente pesquisa realizada na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, ligada à USP, chegou à conclusão de que as cuidadoras estão adoecendo mais a cada dia. Isso após analisar o dia a dia e a saúde de 62 mulheres idosas na mesma faixa etária. Os cuidadores que, na sua grande maioria, também já são idosos convivendo diariamente com pessoas portadores de DA, sucumbem a quadros de ansiedade e depressão, picos de pressão e alterações no colesterol. Pelo estudo, verificou-se que o diagnóstico de ansiedade foi cinco vezes maior entre as cuidadoras. A pesquisa mostrou que 90% das cuidadoras dedicam período integral aos pacientes. Isso gera uma situação de sobrecarga para a pessoa, pois acaba realizando tudo sozinha, sem apoio de outros.

O cuidador familiar de um idoso dependente precisa ser alvo de orientação de profissionais da área da saúde – médico, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia etc. É extremamente comum que o peso dos cuidados seja deixado a cargo de uma só pessoa da família e o restante se exima de qualquer tipo de responsabilidade. Há muitas críticas ao cuidador. 
Porém, quando ele propõe que “alguém possa ajudar”, a grande maioria diz que “não tem tempo” ou arruma outra desculpa qualquer.

Além da ajuda externa, os cuidadores familiares devem ter a nítida noção de que eles têm seus deveres, mas, acima de tudo, têm seus direitos – de cuidar de si. Têm de receber ajuda e a participação de outros familiares. Têm direito de procurar ajuda externa, de poderem ficar tristes e aborrecidos. Não permitir que outros familiares tentem manipulá-los com sentimentos de culpa. Devem proteger sua individualidade e seus interesses pessoais. Enfim, têm o direito de ser feliz. Pense nisso! Faça uma boa semana. 

 

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