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Vittorio Medioli

A saúde de Minas

Se Romeu Zema nunca se dedicou à questão, o candidato Antonio Anastasia teve, nos 12 anos de governo em Minas, oportunidade para encontrar soluções eficientes

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PUBLICADO EM 28/10/18 - 04h30

Em todos os debates entre Antonio Anastasia e Romeu Zema, repetiu-se a questão da saúde pública, e sentiu-se que nem um, nem outro possui uma visão próxima da realidade.

Se Romeu Zema nunca se dedicou à questão, já que apenas administrou interesses privados e a seus empregados concedeu plano de saúde para evitar o pesadelo do sistema público, o candidato Antonio Anastasia teve, nos 12 anos de governo em Minas, oportunidade para encontrar soluções eficientes. Contudo, ao sair, em 2014, o item saúde era o mais demandado pela população. As colocações dele foram centradas na celeuma público versus privado, ainda sem consideração das entidades filantrópicas, que não são uma solução privatizante, mas uma parceria eficiente e de qualidade.

Aqui escrevo com o sentimento de um prefeito, como eu sou, gestor público numa cidade-polo que atende mais de 1 milhão de usuários. Conseguimos em Betim com muito esforço, em 18 meses, mesmo sem os repasses de R$ 55 milhões do Estado, zerar a maioria das filas herdadas e, com uma arrecadação 27% menor (termos reais) que em 2013, esvaziar os corredores “infernais” de um grande hospital regional, dobrar muitos dos principais atendimentos com preocupação com a qualidade.

Reabastecemos ainda a rede de medicamentos, liquidamos dívidas de R$ 87 milhões de fornecedores. Lançamos um projeto de 26 UBSs, dez com canteiro operando neste ano, mais duas UPAs em construção, um Centro Materno-Infantil de 170 leitos em construção. Reaparelhamos a rede, e muito mais ainda há por vir. Aprendemos a fazer mais com menos, a ter respeito aos centavos à disposição, cortamos a roubalheira, a ineficiência, a politicagem. Sem aporte de recursos, mas recuperando créditos, determinando contrapartidas sociais a entes privados, cortando os desperdícios que encontramos.

O desafio da saúde nos últimos governos de Minas foi terceirizado e “quarterizado” aos partidos com benefício para políticos aliados, que interpretaram o assunto como oportunidade para cabides de empregos e prática da locupletação.

A catástrofe se abateu na saúde pública, 20 anos atrasada em relação à de São Paulo, para onde exportamos multidões de pacientes.

Aqui pouco funciona, a precarização é lastimável. Nenhum governador quis entrar no problema de cabeça, entender, conversar, analisar, cobrar, planejar. A desculpa de falta de recursos é enganação, o que se enxerga é a falta de uso honesto dos recursos. Muita gente enriqueceu indevidamente, e outra parte morreu antes da hora.

Um gestor precisa mapear as necessidades, carências e sofrimentos dos usuários, ter a ousadia de agir na saúde preventiva. Em Betim, um bom atendimento aos diabéticos fez reduzir em 50% as amputações no primeiro ano. Os casos de dengue caíram de 15,6 mil para 450.

Tratar a saúde como questão de briga entre “público” e “privado” mostra que a possibilidade de uma solução efetiva ainda está longe.

A rotulação é ineficaz e, se serve, é exatamente aquela privada e filantrópica que atende melhor. Escutar atentamente uma mãe usuária do sistema faria bem aos candidatos, explicaria mais que alguns seminários na Suíça, as coordenadas para sair do túnel sem luz alguma.

A população não acredita mais nas casas de papel, quer solução prática. Demonizar o termo “privado” não faz justiça às entidades filantrópicas que atendem apenas pelo valor repassado pelo SUS.

Em Betim decidimos “privatizar” a hemodiálise com uma entidade filantrópica, economizamos R$ 19 milhões com qualidade escandinava. Cem pacientes, que eram transferidos para Belo Horizonte três vezes por semana, passaram a ser atendidos em Betim, e abrimos ainda 135 vagas para pacientes da região. A eficiência do atendimento liberou 30 leitos no hospital. Essa “privatização” com uma entidade filantrópica e sem custos adicionais, aliás, com economias imensas, também aplicamos no setor de oftalmologia. Zeramos a fila de 2.370 cirurgias de catarata que crescia havia décadas, ampliamos o atendimento em 30 especialidades oftalmológicas. Subimos de 2.000 atendimentos de glaucoma para 4.500. Ninguém reclamou dessas privatizações.

A verdade é que a sociedade cansou de estelionatos eleitorais.

Usar o privado pode ser melhor, mas a privatização não é a solução de tudo, aliás, setores merecem a recondução ao cuidado direto, pois se transformaram numa podridão.

Espero que um ou outro dos candidatos, ambos com virtudes e defeitos relevantes, depois da comemoração, mergulhe numa consideração realista, especialmente no setor de saúde. Faço voto de que o setor não seja mais um feudo para políticos e partidos.

O que se precisa é de honestidade, competência e vontade. O resto não falta. Minas merece um governo que respeite o cidadão, que o deixe trabalhar em paz. Temos muito a recuperar.

 

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