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Vittorio Medioli

Atrás do poder

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PUBLICADO EM 04/03/18 - 04h30

A história é escrita pelos vencedores. Quem perde, perde até o direito de ser lembrado por aquilo que realmente foi.

A manipulação se dá há séculos pintando os vencedores de heróis e os perdedores de vilões. O próprio Júlio César, antes de Cristo, se encarregava com maestria de escrever os relatos das expedições militares, comandadas por ele, para subjugar os povos do norte da Europa. Ninguém sabe o que o derrotado Vercingetorix sofreu de verdade ao enfrentar o comandante romano. Sobrou apenas o livro “Commentarii de Bello Gallico”, escrito pelo vencedor.

Júlio César passou à história como um “grande civilizador”, alguém que “per aspera”, ou pelo ferro das espadas, espargiu a civilização entre os bárbaros depois de dizimá-los. Olhando o rastro de Júlio Cesar e as sementes deixadas, entende-se que seu papel involuntário foi imprescindível para “civilizar” populações atrasadas em relação a Roma e, de certa forma, realizar a primeira e mais remota onda de “globalização” da história.

O motivo oficial da conquista da Gália (França) de Vercingetorix era a grandeza e a glória do império de Roma. Mas ninguém mata ou se coloca em risco na distância de milhares de quilômetros de casa sem vantagens materiais imediatas. Não era certamente para salvar a pátria romana de invasões, para garantir o pão de cada dia ou iniciar um ciclo civilizatório. As conquistas tiravam a liberdade de outros povos que não apresentavam para Roma qualquer séria ameaça.

O Senado romano, contudo, encontrava razões abundantes para essa política imperialista, que movimentava a economia e o comércio das maiores famílias da capital do mundo.

Por meio das guerras a economia romana crescia, o PIB se ampliava com a produção de armas, de insumos necessários à guerra, e com a construção de navios, de máquinas de guerra. Roma era um redemoinho que se alimentava das riquezas da guerra e em seguida das colônias.

Os Estados Unidos são de fato e de direito os sucessores, a versão 4.0, dos romanos. Basta ver o culto prestado ao exército e às armas que marca cada acontecimento na terra de Trump. Com mancebos fardados carregando tambores, bandeiras e fuzis a qualquer pretexto. Os romanos agiam assim mesmo, e os “lictores”, tropa de elite e de vitrine, eram presença obrigatória nos eventos, não só para a segurança do maioral, mas para firmar na opinião pública valores de supremacia nacional.

Embora não se possa subestimar a inteligência humana, que consegue valer muito mais que a força bruta, a vitória sorri para quem mais investe no aparato bélico, no treino de oficiais e soldados, na inteligência e na tecnologia bélica. Paralelamente, a população tem ser motivada a realizar sacrifícios por meio de impostos e de vidas dos filhos para uma causa que não é bem a defesa, mas o alcance da supremacia pela força.

A lenda de Davi é uma exceção, a regra quase sempre é que os Golias vençam.

Dessa forma, a versão real da história chegará com o amadurecimento da humanidade, com o triunfo da sabedoria.

Cairá a carapuça dos vencedores atuais, daqueles que puxam os fios do poder neste mundo controlando o fluxo das finanças. Não é que todos os governantes sejam fruto das conspirações dos banqueiros, mas não há um governante com grande poder que se segure sem o “beneplácito” dos senhores das finanças. Não existe um presidente de um banco central de país rico sem as escolhas dos grandes banqueiros.

Olhando de um pico mais elevado, entende-se que os senhores das finanças são permissionários de outros senhores mais poderosos, como foi Júlio César, que, por um motivo superficialmente inconsistente, plantou efeitos ao longo dos séculos em todo o planeta.

Partindo do princípio de que não há poder maior que o divino, as peças se encaixam com precisão.

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