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Vittorio Medioli

Debate revelador

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PUBLICADO EM 12/08/18 - 03h00

Com oito candidatos numa cena apertada e uma audiência que, pela tardia hora, não atingiu a população trabalhadora, deu para sentir o clima da eleição presidencial deste ano, a primeira em 30 anos sem Lula na vitrine, devido a sua condenação.

Embora seja aparentemente árduo destrinchar o cenário, podemos dividir os oito pretendentes em três diferentes categorias. A primeira é a de ex-governadores bem-sucedidos em seus mandatos, que se habilitaram assim a entrar no rol dos presidenciáveis: Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e Alvaro Dias. Outra categoria tem um único representante, Henrique Meirelles, com diploma de ex-ministro da Fazenda nos governos de Lula e, em seguida, de Michel Temer. No terceiro grupo, o mais numeroso, se incluem quatro pretendentes na faixa mais popular, a mesma transformada em avenida pelo metalúrgico Lula. São eles Marina Silva, Jair Bolsonaro, Cabo Daciolo e Guilherme Boulos.

Populares ou populistas se erguem usando a exterioridade teatral, marcada por parco conhecimento e segurança para adentrar propostas e programas. Poucas as boas intenções e muitas as críticas marcadas de indignação pela corrupção. De regra, a corrupção dos outros, como marcou Marina atacando Alckmin, esquecendo que ela era ministra do governo que respondeu pelo mensalão, e Boulos, que descascou a corrupção de direita voltado de costas para aquela da esquerda. Nesse grupo Jair Bolsonaro é o mais bem-sucedido no ranking eleitoral, provavelmente para a pontaria giratória que não poupa ninguém. O cabo Daciolo mostrou que ainda faltam alguns anos para chegar a sargento e alguns séculos para chegar a presidente. 

Henrique Meirelles pode ter todas as qualidades deste mundo, mas, como candidato de Michel Temer, com 97% de impopularidade, tenta aquecer seu lado com barras de gelo. Deverá provavelmente renunciar antes mesmo do meio da campanha.

Dos governadores, temos um que critica a esquerda, outro, a direita, e um que critica todos. Alckmin, com o apoio do centrão, tem que se esquivar dos desmandos de quem o apoia. Ciro, na caçada ao eleitorado que ficou viúvo de Lula, se joga na direção oposta. Já Alvaro Dias da “Lava Jato” atira na corrupção de ambos os lados. Apresenta-se como candidato de Sergio Moro, o “refundador” da República, já que aquilo que sobra tem que ser reconstruído desde os alicerces.

Nesse primeiro capítulo, cada um tentou ser intérprete de uma estratégia. Os fatores preponderantes são a corrupção e a indignação, de um lado, e a vontade de ver o Brasil, passado a limpo, crescer e prosperar. 

O PT, deixando a cadeira do debate vazia, tenta manter no páreo Lula como grande trunfo até tocar o momento de oficializar Fernando Haddad. Isso será até o improvável extremo de o TSE permitir que a imagem do ex-presidente figure na urna eletrônica. Neste momento, a “candidatura” de Lula, impedida por uma legislação que teve o voto favorável do próprio PT, terá esgotado seu dever perante o partido: abrir o caminho a Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, e ao voto de legenda que pretende puxar.

Resta ver como agirá o fator “voto útil” nas categorias experientes contra populares nas próximas semanas. 

Pelo adiantado da hora, Jair Bolsonaro, com o sucesso que lhe dão as redes sociais, parece ter fôlego para passar ao próximo turno.

Esta eleição é a mais imprevisível de todas. Repete os passos de incerteza de 1989, quando Collor e Lula passaram como “zebras” para o segundo turno, dando origem, em 1992, a um terceiro turno, decidido no Congresso com a cassação do presidente eleito e a posse de seu vice, Itamar Franco.

Permanecendo esse quadro, o Brasil, sem ter um presidente realmente capacitado ao enfrentamento da situação mais grave de sua história, ficará preso em situação imerecida e imperdoável, com risco de um imprevisível terceiro turno, provocado pela revolta de quem não se conforma com o vexame e a miséria de um nação que nunca deveria ter chegado ao ponto em que se encontra.

 

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