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Vittorio Medioli

Minas em debate

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PUBLICADO EM 19/08/18 - 03h00

No primeiro debate entre seis candidatos ao governo de Minas, transmitido pela rede Band, ouviram-se poucas propostas, algumas intenções genéricas e muitas, muitas críticas ao desmonte do Estado, que se apresenta como o mais assombroso desafio do escolhido deste ano.

Assistiu-se ao ataque contra os dois últimos governadores de Minas, presentes e líderes das pesquisas mais recentes. Colocaram-se em discussão as causas da falência.

Minas se encontra, de fato, sem prestígio, sem ministros, sem crédito, sem participação nas decisões nacionais. Humilhada por vários escândalos e constrangimentos, acumula saldo negativo nas últimas décadas – perdidas no crescimento econômico, na infraestrutura, na saúde e na educação.

Os governos mostraram-se desmotivados ao enfrentamento dos imensos problemas da população e das regiões mais sofridas, eternamente esquecidas. O Norte de Estado, grande exportador de seus jovens, nunca recebeu nos últimos 30 anos mais que 1% dos empréstimos do BDMG, nenhuma diferenciação tributária, sequer um incentivo para os investimentos. Zero com zero, o nada absoluto.

Além disso, as atividades nessas regiões, sem voz e sem vez, são castigadas por um Estado despreparado ao dever de fomentar e apoiar prioritariamente quem mais necessita. Ao contrário, mostram-se aguerridos na prática de abusos, sem muitas alterações desde a época do Império.

Perdeu-se significativamente a produção de bens em todo o Estado, não se investiu em tecnologia, na atração de empreendimentos, ninguém reagiu à perda e à transferência de produção automotiva e petroquímica para o Nordeste, nem mesmo à desapropriação do potencial de irrigação do São Francisco via transposição. A Codemig produz estádios e palácios, e não apoia a infraestrutura. Mais um ente que serve a empreiteiras e banqueiros.

Nada se fez para recuperar a produção da Samarco, para combater o estrangulamento do setor de açúcar e álcool, que faz a festa em São Paulo e vive à míngua em Minas. Nada, ainda, para evitar a fuga da indústria farmacêutica, para eliminar os entraves burocráticos decorrentes de mentalidade medieval incrustada nos governos de Minas que fizeram do Estado um parque jurássico da administração pública.

Anastasia acusou Pimentel, Pimentel acusou Anastasia, mas todos os demais reconheceram que o tucano, tanto quanto ou mais, tem culpa no desastre por ter possibilitado comprometimentos de receita insuportáveis, especialmente no setor previdenciário, pela concessão de privilégios, inconstitucionais e incompatíveis com o equilíbrio fiscal. O candidato da Rede, João Batista Mares Guia, sem medo de ser castigado, como se costuma fazer aqui, em Minas, abriu a caixa-preta.

Em 2017 a receita líquida própria de R$ 56 bilhões teve R$ 22 bilhões despendidos com aposentadorias. E isso não vai parar. Algo demolidor, que Pimentel se queixou ter herdado em época da crise mais profunda de Minas. Disse ser motivo do desastroso desequilíbrio das contas públicas, já que se arrecadam apenas R$ 5 bilhões a título previdenciário, gerando-se um saldo negativo anual de quase R$ 17 bilhões. Quer dizer, o dobro do déficit geral que se produz nas contas do Estado.

Ele, já no início, disse que não há mágica, e qualquer outro governador estaria nessa penúria, no momento de maior recessão do Brasil. 

Anastasia reconheceu, sem afirmá-los, os excessos medievais e disse que não vai aumentar impostos, vai desburocratizar e simplificar o Estado. Uma espécie de marcha à ré do choque de gestão. Ainda disse que vai usar gente nova, reconhecendo indiretamente que os anteriores deixaram a desejar, especialmente aquele pego em casos desabonadores. 

Pimentel retribuiu as críticas de inoperância de seu governo, acusando Anastasia da construção de obras inúteis como a Cidade Administrativa e a Cidade das Águas, ou R$ 2,5 bilhões que deixaram sem atendimento obras socialmente imprescindíveis nos setores de saúde, segurança e educação.

Pimentel repetiu a necessidade de uma reforma previdenciária para sanar as contas. Anastasia, não; apesar de ser evidente, contornou o assunto. Promoveu-se pessoalmente como solução aos males de Minas.

Paradoxalmente, o PT de Pimentel se recusou a realizar no Congresso a reforma previdenciária e estabelecer um teto das aposentadorias, que é o mais grave problema do momento.

Defendeu Lula e a ele se associou em todas as intervenções, de olho no rebanho eleitoral de 35% do ex-presidente.

João Batista Mares Guia, o mais desembaraçado, fez sucesso. Desferiu críticas, bem-elaboradas, e disse coisas que nunca se ouviram de público em Minas. A verdade! Não, ninguém, de direita e de esquerda, se alinhou mais com Marcio Lacerda. O ex-prefeito de Belo Horizonte, apesar de um evidente embaraço inicial, e de postura tímida, é quem mais recebeu benefícios do debate, por não ser do PT ou do PSDB e acenar naturalmente para uma terceira via.

Nem o PSOL, da professora Dirlene Marques, mais calma do que a fama de seu partido, também atacou os partidos que se alternaram em Minas e os definiu igualmente marcados pela corrupção.

Boa surpresa o candidato do Avante, Claudiney Dulim, com presença desinibida e corajosa, seguiu a linha traçada por seu partido, que sustenta a necessidade de se arquivar a polarização PSDB versus PT numa campanha que tomou as ruas de “nem um, nem outro”. Ou seja, nem PT, nem PSDB.

São previstos outros quatro debates em redes abertas antes do dia 7 de outubro. Embora o desgaste do mundo político seja grave como nunca, promete-se grande audiência, pois mostrou candidatos interessantes e preparados.

Certamente, esses momentos serão brindados por grande audiência e determinarão a escolha do próximo governador. 

 

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