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Vittorio Medioli

O jogo sujo

Nos últimos 30 dias, as principais pesquisas eleitorais para presidente da República têm carecido de coerência

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PUBLICADO EM 23/09/18 - 04h00

Nos últimos 30 dias, as principais pesquisas eleitorais para presidente da República têm carecido de coerência. Variações têm se mostrado entre um e outro instituto. Basta analisar os resultados de 18 a 20 de setembro de cinco pesquisas de diferentes institutos, considerados “sérios”, para ver que sérios não são. A seriedade baixa apenas nos últimos dias e na boca de urna; agora, torcem e manipulam para um ou outro cliente oculto. Não todas, porém algumas evidentemente não relatam a verdade, para a qual se ajustam na última hora antes que as urnas se manifestem.

Considerando, agora, a soma de todos os resultados, e dividindo-a por cinco, temos a média; provavelmente é esse o mais próximo da realidade.

Na simples conta aritmética (somar e dividir), o líder é Jair Bolsonaro, com 28% (entre 27% e 33%); em segundo, Fernando Haddad, com 17% (entre 16% e 19%); em terceiro, Ciro Gomes, com 11% (entre 10% e 13%); em quarto, Geraldo Alckmin, com 7% (entre 6% e 9%); em quinto, Marina Silva, com 6% (entre 4% e 7%); embolados na casa dos 2% aparecem Alvaro Dias, Henrique Meirelles e João Amoêdo.

Os institutos que mais impactam o ambiente eleitoral são aqueles veiculados pela Rede Globo: Datafolha e Ibope. Estes valem ouro.

Entra e sai eleição, as acusações de manipulação dos resultados no decorrer da campanha sempre aparecem, e são lógicas, embasadas e oportunas. Esses institutos que divergem na fase de campanha, na boca de urna, quase por milagre, se alinham e coincidem. As discrepâncias parecem, data venia, encomendadas.

Quem mais reclama nestes dias das aberrações das pesquisas é o candidato Ciro Gomes, que sofre o desânimo de sua tropa fustigada pelas notícias do Ibope, reverberadas nas mídias. Estas se abatem negativamente sobre a tropa dos seguidores. O efeito se parece com aquele provocado pelo medidor que acusa um esfriamento errôneo e impreciso.

As notícias chegam como baldes de água fria de um lado e como mel do outro.

As manipulações pré-eleitorais das pesquisas não podem ser subestimadas, são arma na guerrilha de contrainformações.

Alguns partidos são useiros sem pudor. Guardo uma foto de um outdoor de uma cidade da região metropolitana, tirada na semana da eleição, que estampava a vitória de um candidato por margem de 15 pontos; passadas 72 horas da fixação do resultado, as urnas deram uma derrota de 10 pontos. Pois é, desespero à parte, os números das pesquisas pesam na formação da opinião e da escolha. Não em todos, mas pesam para uma parcela que pode fazer a diferença final.

Alguns “velhos” institutos já foram incinerados pela contumaz distorção de cenários. Não mais aparecem e fecharam as portas depois de terem gastado o saldo que possuíam de credibilidade, especialmente quando persistiram no erro além do limite de se corrigirem. Outros sobreviveram manipulando números apenas longe das urnas e se alinhando ao resultado na véspera e na boca de urna.

Ciro Gomes protestou até ontem com razão. De um lado, o Datafolha deu uma diferença de 3 pontos entre ele e Haddad, 13 contra 16, enquanto o Ibope apresentou uma diferença de 8 pontos, 11 contra 19. Se o primeiro resultado o deixa “vivo”, o segundo, eleitoralmente, o mata. O cenário do Ibope afasta os menos convictos, e outros oportunistas, empurrando utilitariamente para Haddad. O Ibope prestou um serviço inestimável ao candidato do PT, colocando em grande inferioridade Ciro.

Temos quem defenda a não divulgação de pesquisas durante a campanha eleitoral, ou ao menos nas ultimas três semanas, como toque de recolher das manipulações no mercado eleitoral.

Alguns resultados são fake news legalizados, ainda com registro e carimbo do Tribunal Superior Eleitoral.

Tanto Ciro como Bolsonaro, um à esquerda e outro à direita, são aparentemente candidatos fora do “eixo”, dois que sinalizam profundas mudanças no poder. Aparecem como os favoritos entre os postulantes inovadores. O estresse atinge nestes dias os círculos de poder, as mídias de apoio, com medo de que o Brasil esteja a 15 dias de uma profunda mudança.

É na prática remoto e improvável que este momento possa ser lembrado para corrigir as distorções que afetam esta campanha – legalizadas pelos direitos beneficiários.

Vale observar que os candidatos à Presidência com menor tempo de campanha e menor Fundo Partidário vêm recebendo, como recebem agora Bolsonaro e Ciro, mais de 50% das intenções dos votos decididos.

Quer dizer que apenas 5% de todo o Fundo Partidário está, agora, derrotando os 95% restantes.

O que imaginar sem um fundo bilionário, agora comprovadamente inútil?

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