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Maio Laranja: abuso infantil jamais!

Estima-se que a cada hora três crianças e adolescentes sofram algum tipo de violência no Brasil

Por Editorial O TEMPO
Publicado em 14 de maio de 2024 | 07:00
 
 
 

A prisão do chamado “Dinamá das Crianças” em Venda Nova (BH), no fim de semana passado (11.5), é uma notícia auspiciosa para o mês em se marca o combate ao abuso e violência infantil, o Maio Laranja. Mas muitos passos mais são necessários para garantir um presente seguro e um futuro de oportunidades para meninos e meninas. 

Em 2021, Dinamá foi condenado judicialmente a 87 anos de prisão por abusos em série contra crianças e adolescentes em Várzea da Palma, no Norte de Minas. A estimativa é que, se aproveitando de sua posição social e da atividade de organização de festas infantis, ele teria tido contato com mais de 5.000 crianças. Mas ele seguia foragido. 

O Maio Laranja se tornou lei em 2022 justamente para multiplicar os esforços contra a impunidade dos autores de abusos infantis. Estima-se que a cada hora, três crianças e adolescentes sofram violência no Brasil, sendo que 51% delas têm idades entre 1 e 5 anos. 

Dados do Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ONDH)mostram um aumento de 69% nas denúncias de violência contra crianças e adolescentes em Minas Gerais, comparando o segundo semestre de 2023 em relação a igual período de 2022. Somente nos primeiros cinco meses deste ano em Minas, as denúncias ao ONDH, do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, já passaram de 9.330.  

Mas os números não revelam a realidade completa.

Levantamentos estatísticos apontam que somente 7,5% das agressões são denunciadas aos órgãos de segurança. Abusadores se valem da proximidade com as vítimas, sejam como vizinhos ou mesmo parentes, bem como de uma pretensa autoridade sobre as crianças para forçar o silêncio em uma violência que costuma se prolongar por anos e que causa impactos psicológicos e emocionais pela vida inteira. 

É dever de cada um não se omitir diante de casos de abusos contra crianças e adolescentes. Os canais de denúncia são fáceis e acessíveis, como o Disque 100 de Direitos Humanos ou o 190. Só denunciando é possível romper o ciclo de impunidade que protege abusadores. 

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