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ARTES CÊNICAS

As heranças que ficam em nós

“O Que Fazer Com o Resto das Árvores?” do Coletivo Binário estreia dia 15 com temporada até o dia 25, no CCBB

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DGD
O dilema de dois irmãos que recebem 1 milhão de enciclopédias como herança é o ponto de partida do espetáculo
PUBLICADO EM 09/06/18 - 03h00

“Fica um pouco de teu queixo/ no queixo de tua filha”. Foi com esse verso que o itabirano Carlos Drummond de Andrade trouxe à baila, no poema “Resíduo”, reflexões sobre as heranças que os indivíduos deixam ao longo da vida, sobre o que fica nos filhos quando os pais partem. E foi justamente desse jogo de memória, esquecimento, luto e heranças que nasceu o espetáculo “O Que Fazer Com o Resto das Árvores?”, do Coletivo Binário, que estreia no CCBB dia 15, cumprindo temporada até o dia 25 deste mês, de sexta a segunda.

Sob a direção de Larissa Matheus, os atores Nando Motta e Elder Torres – que assina o texto do espetáculo – dão vida aos irmãos Carlos e Frederico, fragmentados pela morte recente do pai. O homem passou mais de 40 anos escrevendo uma enciclopédia, se desfez de bens materiais acumulados durante a vida para imprimir os volumes da obra e deixa como herança um milhão de livros. 

Mais que contar a história desta família, a montagem perpassa um ideário sobre todas as heranças que constroem o destino dos indivíduos – as deixadas pela história do país, os traços dos pais e os objetos que guardam valor sentimental. 

Para o dramaturgo e ator Elder Torres, as enciclopédias da peça são metáforas sobre as heranças e como essas afetam os círculos familiares. “Ser irmão de alguém é a primeira herança que você recebe dos seus pais, a primeira herança que você tem que não é material. Depois da morte desse pai, esses irmãos têm que descobrir que herdaram um ao outro. E nós, a todo momento, estamos herdando coisas. Algumas vezes, são coisas desagradáveis, mas precisamos viver e lidar com elas”, conta Torres. 

E se o título do espetáculo pode parecer curioso à primeira vista, o ator Nando Motta lembra que também carrega todos os sentidos construídos por ele. “O título me instiga, é sobre o que fazer com aquilo que sobrou do pai, com esse mundo de árvores que o pai dos irmãos transformou em papel e que agora pertencem a eles. É também sobre o que fazer com o resto da vida, sobre como aprender a viver com o que sobrou”, explica. 

Não apenas a escolha do título, como também a de Elder, de contracenar com Nando Motta, foi proposital. Isto porque a estreia do espetáculo marca a criação do Coletivo Binário, composto pelos dois atores, que trabalham juntos, direta e indiretamente, desde 2008 – e que se consideram meio que “irmãos de cena”.

Apesar de o espetáculo tratar sobre o luto e questões tão sensíveis, Elder garante que o humor é uma das ferramentas para a construção da montagem – e é exatamente em meio às discussões entre Carlos e Frederico sobre o destino das enciclopédias que a graça emerge. “Existe muito humor nessa história, assim como na vida. Nas piores coisas a gente consegue colocar humor. Esses irmãos pensam: ‘Meu Deus, tem um milhão de enciclopédias na sala de casa! O que fazer com isso?’. 

O próprio fato de eles terem que bater de porta em porta para tentar vender as enciclopédias em 2016 é muito cômico”, pondera.Teatro e cinema 

Com incursões também pelo cinema, o dramaturgo Elder Torres convidou o cineasta e diretor de fotografia Rodrigo Tavares (responsável pela fotografia dos filmes “Rinha” e “Colegas”, de Marcelo Galvão) para compor o projeto.

Na montagem, Tavares é responsável pela assinatura de um documentário que é exibido durante a peça e que narra a história dos dois irmãos, contada por eles próprios, anos depois do falecimento do pai. Outros recursos do cinema, como o vídeo mapping, também são utilizados para contar a história, atravessando o presente, o passado e o futuro dos personagens.

 

O Que Fazer com o Resto das Árvores?

Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450, 3431-9400). Estreia dia 15 (sexta-feira), às 19h. Sempre de sexta a segunda, às 19h. R$ 20 (inteira). Até 25/6.

(*) Sob supervisão de Patrícia Cassese

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