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Artes cênicas

Delicada reconciliação

No teatro, Ana Lúcia Torre e Ary Fontoura vivem casal que foi interpretado por Henry Fonda e Katharine Hepburn no cinema

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Em adaptação brasileira de "Num Lago Dourado", Ary Fontoura e Ana Lúcia Torre revivem personagens de clássico do cinema
PUBLICADO EM 06/10/18 - 03h00

Ficção e realidade se cruzaram, intimamente, no filme “Num Lago Dourado”, de 1981. Ocorre que Jane Fonda mantinha uma relação complicada com seu pai, Henry Fonda (1905– 1982). E ao conhecer o texto de Ernest Thompson, pensado inicialmente para o teatro, quis levá-lo para o cinema – em uma produção que marcou a última aparição do seu pai e de Katharine Hepburn (1907–2003) nas telonas. Premiada, a trama venceu em três categorias do Oscar de 1982, incluindo a primeira estatueta conquistada por Henry Fonda. O ator, já debilitado, recebeu o prêmio das mãos de sua filha – com quem, depois do longa, finalmente havia se reconciliado.

Agora, o texto que inspirou Jane Fonda a produzir o clássico ganha uma adaptação brasileira igualmente laureada. Com apresentação em BH nos próximos sábado (13) e domingo (14), no Cine Theatro Brasil Vallourec, “Num Lago Dourado” traz no elenco nomes tradicionais da cena teatral que ganharam projeção em produções televisivas: os atores Ana Lúcia Torre, 73, e Ary Fontoura, 85 – que venceu o prêmio APTR 2017 de melhor ator e teve indicação ao prêmio Shell na mesma categoria.

Na versão brasileira, o espetáculo explora um horizonte mais leve e bem-humorado. “É meio que como ‘Sessão da Tarde’, sabe? Então, o público fica encantado. É um tipo de teatro que todo mundo se identifica”, examina Elias Andreato, que assina a direção. “Quem assistiu essa última versão, na Argentina, foi a Célia (Forte), que traduziu e produziu a peça. Foi ela que me convidou para dirigir”, lembra o paranaense.

Por já conhecer o filme de 1981, Andreato se surpreendeu com a possibilidade de levar para o teatro um espetáculo menos tenso, que se dava de um jeito bem diferente da versão cinematográfica. “Por isso convidamos o Ary e a Ana. Eu já trabalhei com eles antes e acompanho, como espectador, a trajetória deles na televisão”, diz, emendando elogios aos artistas. 

“O Ary sempre foi reconhecido pela sutileza de seus personagens, alguém que sempre soube tornar papéis menores inesquecíveis”, reconhece. “E a Ana Lúcia é pessoa de uma delicadeza... Ao mesmo tempo que consegue ser profundamente dramática, se mantém leve”, observa ele.

História
Na trama, Norman (Ary Fontoura) é um professor aposentado, de 80 anos, um tanto ranzinza e absolutamente realista. Já Ethel (Ana Lúcia Torre) é o seu oposto e, com seu espírito solar, irradia energias positivas. De férias em uma casa no campo com vista para um lago, recebem a notícia da visita de sua filha Chelsea (Tatiana de Marca), que há oito anos não vê seus pais. Com ela, vão também o dentista Bill Ray (André Garolli), que é seu novo namorado, e seu enteado, Bill Ray Jr. (Lucas Abdo). Há ainda a presença de um carteiro da região (Fabiano Augusto), que nutria amor por Chelsea. A história é atravessada por esses enlaces familiares e também é um olhar para a velhice.

“Como tudo o que trata da família, é uma peça que sempre nos toca”, diz Andreato, que assistiu algumas apresentações com o público. Por conta dessa experiência, garante: “Não tem como você passar impune”. Ele destaca que toda equipe tomou cuidado para imprimir delicadeza ao trabalho. “O humor não podia ser muito deflagrado e o drama não devia pesar muito”, diz. 

“É uma linha muito tênue. É um exercício muito bacana para nós enquanto atores, diretores, um exercício de não pesar a mão; às vezes, a gente, como artista, persegue coisas mais intensas e radicais”, situa Andreato. 

Ana Lúcia, por sua vez, indica que todas as tensões e conflitos estão presentes na montagem, mas “de uma forma muito leve”. Conseguir encontrar o tom, aliás, é um feito que a paulista credita a toda equipe. “A gente se fala todo dia. É aquele elenco que todo mundo queria ter na vida! A gente não teve um olhar mais atravessado ou um comentário menos agradável”, situa ela.
Andreato também comemora o sucesso da empreitada. “Hoje, produções assim são pouco montadas. São cinco atores em cena, tem cenografia, tem figurino... Viajar com tudo isso fica caro. Contudo, é completo: pensando em entretenimento, as pessoas saem da sala satisfeitas”, garante o diretor.

Por sinal, durante as apresentações que aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, Ana Lúcia observou, de fato, todo tipo de reação da plateia. “Há os que gargalham, os que se emocionam e ficam com lágrimas nos olhos... As pessoas entram em uma montanha russa de emoções”.

Viajando com “Num Lago Dourado”, Ana Lúcia observa que o público da peça é formado, em sua maioria, por pessoas que não estão habituadas a frequentar teatros. “Talvez por conhecerem Ary e eu da TV, essas pessoas querem ver a gente em cena”, explica. O resultado são manifestações legítimas diante do que estão vendo. “São pessoas que, às vezes, não se contêm e têm reações muito espontâneas”, lembra.

A atriz, que integra o elenco de “Espelho da Vida”, atual novela das 18h, da Rede Globo, comemora a vinda a BH. “Alguns dos atores nunca estiveram aí. Eu digo para eles: ‘ vocês são uma plateia muito atenta, que têm ótimas referências’, porque vocês têm uma cena teatral muito forte”, manifesta.

Elias Andreato faz coro aos elogios de Ana Lúcia. Para ele, é especialmente tocante que a peça seja apresentada no Cine Theatro Brasil Vallourec. “É uma sala que está em um lugar popular, em um prédio que foi todo recuperado. Dá um orgulho estar em cartaz neste lugar”.

Num Lago Dourado
Cine Theatro Brasil Vallourec (Av. Amazonas, 315, Centro). Dias 13 (sábado), às 21h, e 14 (domingo), às 19h. R$ 50 (inteira).

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