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O canto (nada óbvio) de Vânia Bastos

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Vânia Bastos: clássicos da Bossa Nova, do Clube da Esquina e os sucessos 'Paulista' e 'Verde'
PUBLICADO EM 22/08/08 - 20h31

Vânia Bastos, 52, não tem o discurso pronto de que quando ouviu João Gilberto pela primeira vez sentiu que havia ali algo revolucionário. Cresceu escutando no rádio de casa, em Ourinhos (SP), de tudo um pouco: Jovem Guarda, Geraldo Vandré, Elis Regina & Jair Rodrigues, as músicas dos festivais e, claro, a incipiente Bossa Nova. "Eu ia digerindo tudo sem critério. Nunca coloquei uma lupa na Bossa Nova para ver exatamente o que era o movimento. Ouvia, achava legal, mas não sabia direito o porquê das coisas. Só aos 16 anos, quando li um trabalho de escola, é que comecei a prestar atenção naquele som, a perceber as sutilezas, a ouvir mais Tom Jobim e a perceber que ali estava se virando uma página, começando um canto diferente", conta a cantora, atração deste domingo (24), do projeto Sesc — Celebrando a Bossa, quando divide o palco com os irmãos Bob e Suzana Tostes.

Vânia é mesmo uma artista que passa ao largo da obviedade. Pergunte a ela sua cantora preferida. Não espere que ela vá dizer Elis Regina ou Gal Costa. Aquelas que toda intérprete adora citar. Para ela, o máximo mesmo é Wanderléa. Gosta de tudo na Ternurinha: da pessoa, do carisma, do jeito. "Sei que Wanderléa não é um ícone da cultura porque tem aquela voz. Ela é um conjunto. Vai além de ser uma cantora. É uma criatura diferente. Até hoje, quando Wanderléa parece na TV, páro tudo para vê-la. Adorei ter participado de um show com ela recentemente, em São Paulo, em homenagem a Dolores Duran. Foi o máximo ver, escrito no camarim, "Vânia Bastos & Wanderléa". Pensei comigo: nunca imaginei que isso fosse acontecer. A primeira apresentação que fiz, quando ainda estava cursando o primário, foi imitando Wanderléa, com `Pare o Casamento' e `Meu Amor me Disse Assim'. Algumas pessoas te deixam fascinadas e você nem sabe o porquê. Com Wanderléa é assim", conta.

Ela também não esconde ter sido fã da Jovem Guarda. "Gostava muito de Roberto & Erasmo Carlos, Wanderléa, Leno & Lilian, Deno & Dito... Fiz algumas programas intelectuais nas rádios de São Paulo e quando falei que gostava da Wanderléa e da Jovem Guarda, as pessoas faziam uma cara meio assim: `que mau gosto' (risos). Essas são verdades minhas, coisas que carrego comigo e não têm explicação. Eu não tinha noção do que era brega e do que não era. E isso, para mim, é até um certo privilégio: pude ter esse balaio cultural e absorver esse caldeirão sonoro", conta. Vânia, inclusive, tem o projeto de gravar um CD só com músicas da Jovem Guarda. "Não seria ruim gravar um disco assim. Tudo depende do jeito que você canta. Poderia aliar uma coisa da Bossa Nova à Jovem Guarda", revela, insinuando que vai promover a "ponte" entre dois movimentos musicais tão díspares e antecipando três canções que estarão no repertório: "Foi Assim", "O Caderninho" e "Quase Fui lhe Procurar".

Vânia surgiu na cena musical como integrante da Vanguarda Paulista, que teve como seu maior expoente Arrigo Barnabé. Eram anos 80. Para ela, o movimento até hoje não foi digerido. "Era um som esquisito, diferente. Esse negócio de trabalhar com história em quadrinho, som duodecafônico. É uma linguagem muito difícil. Tanto que não tocou no rádio, não passou na TV. Foi o som mais lido da MPB (risos). E o ápice dessa história de vanguarda é o Arrigo. Claro que o Grupo Ruma tem uma linguagem muito própria, o Itamar (Assumpção), o Premê... Mas Arrigo é o mais estranho e marcante. Ele criou aquela coisa do cara falando e das meninas respondendo. A Blitz teve muita influência da Vanguarda, embora com um som adaptado, pois faziam um rock digerível, fácil. Mas foi Arrigo que lançou essa semente", afirma a cantora, que no show deste domingo se apresenta ao lado do violonista Ronaldo Rayol (irmão de Agnaldo), interpretando seus sucessos ("Paulista", "Verde"), canções do Clube da Esquina ("Paisagem da Janela", "Nada Será como Antes") e, óbvio, clássicos da Bossa Nova ("Água de Beber", "Samba de Verão", "Desafinado").

Sesc — Celebrando a Bossa
Parque municipal (av. Afonso Pena, s/nº, centro). Neste domingo (24), às 11h.
 
 

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