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Literatura

O nada, o vazio e o desamparo

Jornalista mineiro Raphael Vidigal lança seu segundo livro, "O Sol Áspero", na Asa de Papel Café & Arte

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“O principal elemento desse romance é o nada”, diz o autor
PUBLICADO EM 03/11/18 - 03h00

É tudo mentira, tudo inventado, esclarece o autor Raphael Vidigal. “Como digo em determinada passagem, é um ‘livro da mentira, do enfeite’”, acrescenta o jornalista, referindo-se a “O Sol Áspero” (Gentil Editora, R$ 30), livro que lança na próxima quinta-feira (8), na Asa de Papel Café & Arte. Trata-se de sua segunda incursão no mercado editorial: em 2014, lançou “Amor de Morte Entre Duas Vidas” (2014), de poemas. A empreitada de agora insere-se num formato que ele chama de “romance experimental”. “Se é para nomear, eu o chamo assim”, conta o também letrista e repórter do caderno Magazine, do jornal O TEMPO, para acrescentar, na sequência. “Um pouco na linha do que Paulo Leminski propôs com o ‘Catatau’ (1975), ao chamá-lo de romance ideia”. 

“O Sol Áspero”, na verdade, deriva-se de um projeto para o qual Vidigal foi convidado em 2012. À época trabalhando em uma empresa de consultoria ambiental, foi contratado para narrar, de forma livre, a experiência advinda da visita a 16 cidades do interior de Minas, a maioria com média menor que dez mil habitantes, como Tumiritinga, Ferros, Açucena, Itanhomi ou Engenheiro Caldas, para citar algumas. O projeto – “mais objetivo” – foi concluído com sucesso, e o livro, entregue. Mas veio a vontade de dar um desdobramento. “Comecei a trabalhar sobre os escritos e a intensificar o caráter literário que havia naquelas letras. O trabalho foi o de ocultar ao máximo aquela história mais aparente e reduzi-la ao essencial, para chegar ao resultado que eu almejava: o de um romance simbólico, experimental, pautado em sensações e ilusões”.

Daí a frase que abre essa matéria, dita por Vidigal. Mesmo porque, ele assume: “Não acredito que exista uma ‘verdade’, essa senhora deslumbrada. É tudo uma questão de olhar. Paisagens, pessoas e acontecimentos passaram pela minha frente e eu as inventei da maneira que quis, foi assim que aconteceu”. Para o autor, a literatura é um espaço de liberdade. “E é preciso cuidar dos que ainda temos”.

Na narrativa, a personagem que conduz a trama vai mudando de forma: Ágata é onça, cigana e cidade. “No prefácio, a professora de cinema e artista plástica Clara Albinati a define como ‘uma obsessão ou como aquilo que se perdeu e que se impregna em tudo o que se vê’. Vidigal concorda com o olhar, o que, diz, “acaba por tornar a narrativa circular”. “As cidades servem de espelho do desamparo que sentimos diante do vazio da existência. O principal elemento desse romance é o nada, a inexpressão, o vazio e o desamparo”, conclui.


O Sol Áspero
Lançamento na Asa de Papel (rua Piauí, 631, Santa Efigênia). Dia 8 (quinta), às 18h. Evento gratuito. O livro será vendido no local a R$ 30.

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