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LITERATURA

Cinco décadas de jornalismo 

Juca Kfouri lança memórias da profissão no livro "Confesso que Perdi" e é o primeiro convidado do Sempre Um Papo em 2018

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KFOURI
A convite da editora Companhia das Letras, jornalista Juca Kfouri contou suas memórias no livro “Confesso que Perdi”
PUBLICADO EM 17/02/18 - 04h00

Apenas três meses foram suficientes para que o jornalista Juca Kfouri escrevesse “Confesso que Perdi” (Companhia das Letras, R$ 39,90), livro de memórias que ele lança na próxima terça (20), em Belo Horizonte, abrindo a programação de 2018 do Sempre Um Papo. “Escrevi no meu iPad, sentado no sofá de casa. Ele já estava pronto na minha cabeça, apenas o vomitei”, comenta. 

O único momento em que interrompeu o intenso fluxo foi quando escreveu sobre a morte Norberto Nehring, um de seus ídolos da juventude, após ser torturado por agentes da ditadura. A tristeza da lembrança o fez parar por três dias. Fora esse, não houve outros sobressaltos no período. 
 
Embora apresente algumas passagens de sua vida pessoal, a obra foca em sua trajetória de quase 50 anos de atuação no jornalismo. Juca conta que precisou ser convencido pelos editores da Companhia das Letras a escrevê-la e que não usou registros seus para revisitar as memórias, uma vez que não os mantém. “Se eu fosse fazer algum tipo de agradecimento, teria que agradecer ao Google, ferramenta a que eu recorri durante o processo”, brinca.
 
O ex-diretor das revistas “Placar” e “Playboy” narra os bastidores de trabalhos marcantes como a denúncia à chamada máfia da Loteria Esportiva e a reportagem que revelou a identidade do desenhista Carlos Zéfiro, segredo que perdurou por décadas. 
 
O título do livro é uma paráfrase das memórias de Pablo Neruda (1904-1973), “Confesso que Vivi”, e também uma referência aos versos de Darcy Ribeiro (1922- 1997): “Fracassei em tudo o que tentei na vida./Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui./Tentei salvar os índios, não consegui./Tentei fazer uma universidade séria e fracassei./Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei./Mas os fracassos são minhas vitórias./Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.
 
Nos relatos, o corintiano que estava à frente da “Placar” quando esta deu uma chamada tratando a torcida do rival Palmeiras por “Fiel verde” – e, por isso, chegou a ser ameaçado de morte – também recorda os desafios das coberturas jornalísticas em tempos de menos recursos tecnológicos, como durante a Copa de 1982, com textos por telex e fotos que vinham de avião – era preciso que um passageiro se dispusesse a trazê-las. “Hoje a vida dos repórteres é muito mais fácil, já faz duas Copas que tudo o que eu preciso para cobrir é um iPad”, afirma.
 
Ele refuta, no entanto, a tese de que o jornalismo estaria morrendo, graças à internet. “O que talvez esteja morrendo são os jornais impressos, mas ainda existe espaço para boas perguntas, olhar crítico, investigação”, diz. 
 
Já no âmbito que diz menos respeito a técnica e mais e mais a valores, Juca lamenta que a defesa da democracia e dos interesses da população tenha perdido espaço ao longo dos seus 48 anos de trajetória. “Nos últimos anos, o que a gente tem visto é uma cobertura muito parcial dos grandes meios de comunicação no que diz respeito à situação do país. Os ex-presidentes Lula e Dilma foram condenados sem direito a julgamento. Fico pasmo em ver como até quem fez uma autocrítica por ter apoiado o golpe de 1964 agiu da mesma maneira agora”, analisa.
 
Em outro extremo, ele enxerga veículos menores reagindo contra essa corrente. “O que eu lamento é que, nessa briga, o jornalismo seja sacrificado. Porque entre uma ponta e outra, sacrifica-se a verdade. Ninguém se preocupa em iluminar os fatos e contar as coisas como são, sempre aparece o viés da parcialidade – e não é na opinião, porque nesse caso pode, mas na cobertura, no que diz respeito à notícia”, observa.
 
Lado mineiro
 
De nome completo José Carlos do Amaral Kfouri, ele conta que o Amaral, da mãe, é daqui de Minas e que conhece Belo Horizonte como a palma da mão. “Minhas férias da infância eu passei todas aí, entre a praça Hugo Werneck, onde meu padrinho tinha um posto, a rua Guajajaras e o bairro Carlos Prates, onde minhas tias moravam. Conheci BH quando ela ainda se orgulhava de ser a primeira cidade planejada do país e cabia dentro dos limites da Contorno”, declara.
 
Sempre Um Papo com Juca Kfouri 
Lançamento do livro “Confesso que Perdi” 
Auditório da Cemig (r. Alvarenga Peixoto, 1.200, Santo Agostinho, 3261-1501). Dia 20 (terça), às 19h30. Entrada gratuita.

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