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Beatriz Alvarenga

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Beatriz Alvarenga
PUBLICADO EM 16/09/11 - 23h45

Talvez sem saber, muita gente já estudou com Beatriz Alvarenga, 88, professora emérita da UFMG e um dos principais nomes formados pela Escola de Engenharia, que este ano celebra seu centenário. Quem ainda tiver guardados os livros didáticos usados na escola pode ir conferir: provavelmente foi de Beatriz que receberam, indiretamente, as lições de física que elucidaram as leis de Newton e os princípios do eletromagnetismo. É ela a autora, juntamente com o também professor Antônio Máximo, do livro "Curso de Física", um dos títulos mais adotados nas turmas de Ensino Médio no Brasil.

Nascida em Santa Maria do Itabira, Beatriz cresceu em Itabira, berço de Carlos Drummond de Andrade. Na cidade do ilustre mineiro hábil com as palavras, a jovem menina só queria saber dos números. Matemática era a sua aula preferida. Numa época em que as moças se dedicavam ao magistério, Beatriz escolheu cursar engenharia civil, apenas um pretexto para continuar estudando matemática. Foi na universidade que começou a ser despertada para a física, num período incipiente do ensino da disciplina no país, quando ainda não se formavam professores na área. Para ensinar, teve primeiro que ser professora de si mesma. "Fui convidada pelo Colégio Santa Maria para dar aula de física, mas não queria. Eu sabia era matemática. Eu iniciei com muita dificuldade, estudando sozinha, fazendo cursos extras", conta.

Em um ambiente dominado por homens como as ciências exatas, Beatriz foi pioneira nas escolas da capital. Na Escola de Engenharia, ela afirma, era a única mulher matriculada, e posteriormente, a primeira mulher a dar aulas.

Também foi a primeira professora de física do Colégio Estadual Central. "Lá só tinha professores homens, as mulheres só trabalhavam com trabalhos manuais. Quando muito, havia uma professora de português. Eu era a única mulher num curso noturno, uma moça com pouco mais de 20 anos. O diretor não queria nem que eu me inscrevesse no concurso, mas fiz a prova e tirei o primeiro lugar. Depois que eu comecei a dar aula no colégio é que contrataram outras mulheres", afirma.

Hoje, ela está longe do quadro negro, mas ainda muito próxima da física. As engenhocas que usou durante toda a vida para tornar o ensino da física mais fácil estão hoje reunidas em um laboratório em sua casa, sempre aberto para o uso de professores e alunos. "Considero um trabalho social", afirma. Mas é também uma forma de manter parte de sua memória afetiva bem próxima da realidade. "É como ter um amor muito grande pelo pai, pela mãe. Sempre estudei com muita profundidade e a nossa própria memória vai sendo ligada a essas coisas. O ser humano é assim, ele se apega às coisas", diz sobre o peso da física em sua vida.

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