Polarização

Fuad tenta manter distância da esquerda e diz que 'radicalização prejudicou BH'

Em palestra para empresários, prefeito da capital não quis colar imagem ao presidente Lula (PT)

Por Hermano Chiodi
Publicado em 22 de abril de 2024 | 16:05
 
 
 
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Mesmo sendo candidato à reeleição pelo PSD, partido da base de apoio do governo Lula (PT), o prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), resolveu marcar posição em relação aos petistas e se afastar do rótulo de "candidato de esquerda". Ele disse que é um candidato "de centro" e que a polarização fez mal para a capital mineira.

O prefeito foi o convidado especial do Conexão Empresarial, que reuniu uma plateia de empresários, nesta segunda-feira (22), e tentou mostrar o lado positivo de não ter o apoio nem do presidente Lula e nem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Do jeito que a eleição vem se desenhando, devemos ter três candidatos de esquerda e três de direita. Eu não sou uma coisa nem outra. Sou um candidato de Belo Horizonte. Sem ideologias; por isso vou receber apoio de quem quiser. O importante para mim é trabalhar e receber apoios e recursos para a cidade”, diz o prefeito.

“Qualquer polarização não é boa. Agora, quando isso é feito numa cidade, é muito pior. Isso (esse debate) vale para uma discussão ideológica (na disputa) de presidente da República; mas não aqui. Para a cidade, precisa de trabalhar. O povo mora aqui e discute (os problemas) daqui”, argumentou.

Em seu discurso, Fuad lembrou as dificuldades enfrentadas pela cidade durante o governo do ex-presidente Bolsonaro, que, durante a pandemia de Covid-19, teve diversos embates com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD). “Belo Horizonte ficou quatro anos sem receber nenhum centavo no último governo (Bolsonaro). Essa radicalização prejudicou muito a cidade”, disse. 

O prefeito ainda utilizou essa situação para justificar sua decisão de apoiar o presidente Lula durante as eleições. “Eu procurei o Lula, conversei com ele, pedi apoio, investimentos para Belo Horizonte. Ele disse que não poderia prometer, porque ainda não era presidente, mas se comprometeu. E deu certo. Hoje estamos recebendo os investimentos do governo em várias obras e projetos”, avaliou.

Mesmo sem se colocar como um candidato de esquerda, o PSD, partido de Fuad, faz parte do governo Lula e o prefeito de Belo Horizonte tem mantido proximidade com a pauta da gestão petista. Apesar do presidente ter um candidato para a disputa na capital mineira, o deputado federal Rogério Correia (PT), Fuad espera contar com o apoio petista em um eventual segundo turno.

No outro lado da polarização, o ex-presidente Jair Bolsonaro também fez sua escolha e declarou apoio ao pré-candidato do PL, Bruno Engler (PL).

Relação com Gabriel

Questionado, o prefeito ainda destacou a relação com o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), vereador Gabriel Azevedo (MDB), que também é pré-candidato à prefeitura da capital e busca se colocar como candidato do "centro", se afastando da polarização entre Lula e Bolsonaro.

Fuad disse que as coisas melhoraram, mas que ainda fez ressalvas. "Eu sempre tratei dentro da institucionalidade, como tem que ser na relação do prefeito com o presidente da Câmara, mas nem sempre tive o mesmo tipo de resposta. Ainda mais agora, que ele (Gabriel) é candidato", afirmou.

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