CÚPULA DO CLIMA

Há um problema coletivo de inação sobre metas climáticas, diz Lula na COP 28

Petista discursou durante conferência do clima da ONU para outros chefes de Estado e de governo, em Dubai, nos Emirados Árabes

Por Manuel Marçal
Publicado em 01 de dezembro de 2023 | 11:17
 
 
 
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou, nesta sexta-feira (1), que os países industrializados e desenvolvidos estabeleçam “metas ambiciosas” sobre o enfrentamento às mudanças climáticas. Para o petista, há um “problema coletivo de inação, outro de falta de ambição” por parte dos líderes mundiais para cumprir tais objetivos. Além disso, reiterou para que os países ricos cumpram com a promessa de repassar bilhões de dólares para que as nações do Sul Global possam enfrentar as mudanças climáticas, além de passar por transição energética.

As declarações ocorreram durante o segundo discurso do petista, nesta sexta-feira, na abertura da 28ª Conferência de Mudança do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 28. Na oportunidade, Lula estava reunido com chefes de Estado e de governo mundiais. Ao fazer um panorama sobre o Acordo de Paris, o petista disse que o tratado “já é insuficiente para conter o aquecimento global em nível seguro”. 

Assinado em 2015 por várias nações, o Acordo de Paris tem como objetivo principal não permitir que o planeta se aqueça além de 1,5 °C até ao fim do século 21. “A meta do Acordo de Paris, de mantê-lo entre 1,5°C e 2 °C, já é insuficiente para conter o aquecimento global em nível seguro. Temos um problema coletivo de inação, outro de falta de ambição”, alertou Lula. 

Cada país signatário estabeleceu metas de redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE), chamadas de Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês). “As NDCs atuais não estão sendo implementadas no ritmo esperado. E, mesmo que estivessem, não conseguiriam manter a temperatura abaixo do limite de 1,5°C. O Brasil ajustou sua NDC e se comprometeu a reduzir 48% das emissões até 2025 e 53% até 2030, além de atingir a neutralidade climática até 2050”, discursou. 

O presidente brasileiro reforçou o compromisso do país em zerar o desmatamento da Amazônia até 2030. Ele disse ainda que, mesmo que o Brasil evite derrubadas de árvores na maior floresta tropical do mundo, ela pode chegar ao ponto de não-retorno, ou seja, virar uma savana. O motivo, segundo ele, se deve a poluição da atmosfera.  

“Mesmo que não derrubemos mais nenhuma árvore, a Amazônia poderá atingir seu ponto de não-retorno se outros países não fizerem sua parte. O aumento da temperatura global poderá desencadear um processo irreversível de savanização da Amazônia. Os setores de energia, indústria e transporte emitem muitos gases do efeito estufa. Temos que lidar com todas essas fontes”, disse Lula. 

Mais de uma vez em seu discurso na COP 28, Lula falou sobre o desequilíbrio entre nações ricas e em desenvolvimento quando o assunto é o enfrentamento às mudanças climáticas e a realização da transição energética.  

“Muitos países do Sul Global não terão condições de implementar suas NDCs, nem de assumir metas mais ambiciosas. Os mais vulneráveis não podem ter que escolher entre combater a mudança do clima e combater a pobreza.  Terão que fazer ambos. O princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, é inegociável. Ameaçá-lo vai na contramão de qualquer noção básica de justiça climática”, afirmou.  

Para que isso ocorra, segundo disse Lula, é preciso que as nações desenvolvidas cumpram as promessas de financiamento e de transferência de tecnologia para os países do Sul Global. “É inaceitável que a promessa de US$ 100 bilhões por ano assumida pelos países desenvolvidos não saia do papel". Mais cedo, ainda durante a Cúpula do Clima, em Dubai, nos Emirados Árabes, o presidente Lula também tinha feito essa mesma crítica.  

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