Investimentos

Mais da metade das obras do ‘pacotão do Fuad’ é herança ou promessa

São previstos R$ 3 bilhões em 120 obras que devem ser concluídas ou iniciadas neste ano

Por Hermano Chiodi
Publicado em 05 de abril de 2024 | 20:17
 
 
 
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O ‘pacotão de obras’ do prefeito Fuad Noman (PSD), anunciado nesta quinta-feira (4), com a previsão de investimento de R$ 3 bilhões para 120 intervenções em Belo Horizonte, é composto, em sua maioria, por heranças de ex-prefeitos ou promessas ainda sem data exata para execução.

Entre as principais heranças anunciadas está a conclusão das obras nos reservatórios do Vilarinho e do Nado, com previsão de R$ 187 milhões em investimentos. O primeiro com  conclusão prevista para o fim do ano e o outro para 2025. As obras, que têm como objetivo reduzir o risco de alagamentos na região, começaram ainda em 2021, com assinatura de contrato em abril daquele ano, durante a gestão do ex-prefeito Alexandre Kalil (PSD). 

Outras intervenções importantes no pacote de Fuad Noman são a construção de centros de saúde. Três deles devem ser concluídos neste ano, a um valor de R$ 25,8 milhões, e outros cinco são promessas que devem ser iniciadas no segundo semestre,  por R$ 43 milhões. Em todos os casos, o programa e os recursos são oriundos do projeto de Parceria Público Privado (PPP), criado em 2010, na gestão do ex-prefeito Marcio Lacerda e que recebeu aditivo no ano passado.

Algumas propostas foram iniciadas na gestão Fuad, mas são resultados de projetos deixados como herança por Kalil. O principal exemplo é o conjunto de intervenções na vias que cruzam a avenida Cristiano Machado, como nos cruzamentos com as avenidas Waldomiro Lobo, Sebastião de Brito e Saramenha, que foram realizados com recursos de um acordo assinado entre a Prefeitura e a Corporação Andina de Fomento (CAF), assinado em 2019. Juntas, essas intervenções somam R$ 164 milhões.

Promessas

São R$ 1,3 bilhão em obras previstas para começar em 2024, ainda sem data exata para início. Em alguns casos, as intervenções dependem da liberação de recursos externos, em especial do governo federal. É o caso, por exemplo, dos R$ 600 milhões esperados para a construção de aproximadamente 3 mil unidades do “Minha Casa Minha Vida”. A prefeitura prevê início de obras em julho, mas o governo federal ainda não detalhou a liberação dos recursos.

Para o segundo semestre de 2024, que coincide com o período eleitoral, está previsto o início de diversas obras, entre elas o Centro de Controle de Zoonoses, que deve custar R$ 6,3 milhões, o Novo Cersam Venda Nova, a R$ 5,2 milhões, e o Centro de Saúde Carlos Chagas, por R$ 5,7 milhões, entre outras. 

Outros recursos que foram prometidos, mas que seguem aguardando trâmites burocráticos, são os 60 milhões necessários para fazer a obra de melhoria na interseção entre a Via Expressa e a BR-040, no Anel Rodoviário da capital. A iniciativa também foi anunciada pelo governo federal dentro do PAC, mas ainda não há definição sobre início das obras.

Entre as obras, também há conclusões de intervenções que nasceram durante a gestão do prefeito, que assumiu em 2022. O principal destaque é a bacia de detenção B5, projeto cujo edital foi assinado por Fuad após diversos adiamentos. O custo total para conclusão é de R$ 19 milhões e o encerramento das obras deve ocorrer no segundo semestre deste ano.

A prefeitura esclarece que não utilizou a data de início das obras ou a autoria como critério para fazer a lista que foi anunciada. De acordo com a administração municipal, o critério foi a garantia de que serão iniciadas ou concluídas ainda em 2024. “São obras importantes que já têm recurso garantido, seja por acordo ou financiamento aprovado”, destaca a administração municipal através de sua assessoria.

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