Investigação

STJ deve decidir sobre prisão do padre de Trindade acusado de desvio milionário

O pedido de prisão do Padre Robson de Oliveira Pereira, ex-reitor do Santuário do Divino Pai Eterno, vai ser tratado em audiência no STJ na tarde desta segunda-feira (22)

Por Renato Alves
Publicado em 22 de novembro de 2021 | 13:09
 
 
 
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O pedido de prisão do Padre Robson de Oliveira Pereira, ex-reitor do Santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), vai ser tratado em audiência no Superior Tribunal de Justiça (STJ) na tarde desta segunda-feira (22). O caso está sob responsabilidade do ministro-relator Benedito Gonçalves. 

O pedido partiu da Polícia Federal e foi enviado ao STJ na última quarta-feira (17). A defesa do padre diz que ele não cometeu qualquer irregularidade, mas não informa seu paradeiro. Investigadores temem que o religioso tenha deixado Goiás e até o país. 

Padre Robson é investigado por suspeita de desvio de dinheiro da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), localizada em Trindade e responsável pela construção do maior templo de Goiás. O Santuário Divino Pai Eterno é o principal ponto de peregrinação de católicos no estado. A apuração foi suspensa por decisão judicial. 

A motivação do pedido de prisão foi um áudio anexado ao processo que indicaria compra de sentença favorável ao religioso na Justiça de Goiás. 

A investigação contra o padre Robson de Oliveira começou quando ele era reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno. O religioso teria criado associações para desviar mais de R$ 100 milhões em doações de fiéis. O valor deveria ser destinado para a construção da nova basílica, que ainda está em fase inicial de obras, em Trindade. Com o dinheiro, entre outras coisas, o padre comprou fazendas, casa na praia e até um avião, segundo o Ministério Público de Goiás.  

Por meio de interceptação autorizada pela Justiça, os investigadores flagraram uma conversa entre o padre Robson de Oliveira e dois advogados sobre o suposto pagamento de propina no valor de R$ 1,5 milhão a desembargadores do Tribunal de Justiça de Goiás para receber uma decisão favorável em um processo envolvendo uma fazenda comprada pela Afipe.

O Ministério Público goiano denunciou o padre à Justiça por organização criminosa, apropriação indébita, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro doado por fiéis.

A denúncia à Justiça é decorrente da Operação Vendilhões, que cumpriu mandados em agosto de 2020 para apurar os desvios. 

Padre Robson, que sempre negou qualquer irregularidade, está afastado das atividades e proibido de se manifestar por decreto canônico. Ele tem procurado se manter no anonimato desde que o escândalo veio à tona. A última aparição pública dele ocorreu em fevereiro, durante assembleia on-line dos redentoristas.

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