Conheça os motivos por trás das manifestações em cada país da América Latina
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Chile
Manifestações contra medidas econômicasO aumento da tarifa do metrô, em outubro, desencadeia manifestações de insatisfeitos com o elevado custo de vida, precariedade da educação e da saúde e denúncias de corrupção. O presidente de centro-direita Sebastián Piñera anuncia medidas como revisão do salário mínimo e das pensões e aposentadorias, além de uma Constituinte para reformar a Constituição atual, criada pela ditadura de Augusto Pinochet (encerrada em 1990). Mesmo assim, as manifestações continuam — com saldo de 24 mortos e 3.449 feridos.


Colômbia
O dia 21 de novembro marca o primeiro dia da greve nacional que leva cerca de 250 mil pessoas às ruas contra o governo do presidente direitista Iván Duque, eleito em 2018. Manifestantes são contrários ao programa econômico e exigem o cumprimento do acordo de paz com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), firmado em 2016.
Os protestos culminam com a morte de quatro pessoas. As manifestações continuam, e um Comitê Nacional da Greve negocia com o governo, 13 pontos de mudanças sociais.


Bolívia
Sob suspeita de fraude nas eleições de outubro, Evo Morales renuncia à presidência em meio a uma onda de manifestações, que deixam mais de 30 mortos. Simpatizantes de Morales enfrentam a polícia e ele se exila primeiro no México e, depois, na Argentina.
A senadora da oposição direitista Jeanine Áñez se autoproclama presidente interina e diz que convocará novas eleições “em breve”. A Justiça boliviana ordena a prisão de Morales por sedição (rebelião) e terrorismo.


Venezuela
O ano começa com mais um “presidente” na Venezuela, além de Nicolás Maduro: o líder da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, autoproclama-se chefe interino de governo e aprofunda a crise política e social do país. Maduro assumira a Presidência após a morte de Hugo Chávez (no cargo desde 1999), em 2013, e se reelegeu em 2018, sob acusações de fraude. A oposição é maioria parlamentar desde 2016.


Peru
O Congresso é dissolvido (constitucionalmente, a princípio) pelo presidente Martín Vizcarra em outubro. A Casa responde suspendendo o mandato dele e nomeando a vice como chefe interina — mas ela acaba renunciando. Novas eleições estão marcadas para janeiro, e um tribunal julga se o presidente violou a Constituição ao dissolver o Congresso.
A oposição é liderada por Keiko Fujimori, filha de Alberto Fujimori (presidente de 1990 a 2000 e atualmente preso por crimes contra a humanidade e por corrupção). Solta em novembro, Keiko estava presa acusada de corrupção.


Equador
Manifestantes bloqueiam estradas em outubro em protesto contra um aumento de 123% no preço do óleo diesel e da gasolina, parte de um ajuste fiscal do presidente Lenín Moreno. São 11 dias de protestos, com lideranças indígenas à frente, até que Moreno revoga as medidas. A ONU aponta uso desproporcional de força policial e Moreno acusa seu antecessor, Rafael Correa, de ter incitado as manifestações.


Honduras
Em junho, eclodem protestos exigindo a saída do presidente, Juan Orlando Hernández, alvo de acusações de corrupção e envolvimento com o narcotráfico — embora sempre tenha se posicionado como militante contra as drogas.
Em outubro, seu irmão, Juan Antonio “Tony” Hernández, é considerado culpado das acusações de tráfico de entorpecentes por um tribunal de Nova York. No mesmo dia, novas manifestações pedem pela deposição do presidente, que se mantém no cargo.


Haiti
Desde fevereiro, há manifestações contrárias ao presidente Jovenel Moïse. Parte da população acredita que ele fez agravar a situação de pobreza no país, onde mais da metade da população tem desnutrição crônica. Moïse e o chefe de seu partido são acusados de desviar fundos de ajuda internacional das duas últimas catástrofes climáticas que atingiram a ilha. A missão de 15 anos das Organizações das Nações Unidas (ONU) no país termina em outubro.


México
Em agosto, mulheres mexicanas vão às ruas no que é considerado o apogeu do movimento feminista no país, inflamado pelo suposto estupro de uma adolescente de 17 anos por quatro policiais.
Nos seis primeiros meses de mandato do presidente de esquerda Andrés Manuel López Obrador, as denúncias de crimes sexuais no país aumentam 20%. Ele e a prefeita da Cidade do México, Claudia Sheinbaum, são cobrados por políticas públicas que freiem essas estatísticas.


Nicarágua
No último ano, o país viveu manifestações contra o ditador Daniel Ortega, no poder desde 2007. Iniciadas por estudantes inconformados com uma reforma no sistema de pensões, elas culminaram em cerca de 300 assassinatos, 2 mil feridos e emigração de 62 mil pessoas, segundo a ONU.
Uma das vítimas fatais foi a estudante brasileira de medicina Raynéia Gabrielle Lima. Ortega iniciou um canal de diálogo com opositores, mas focos de protestos continuam em 2019 sob repressão policial — jornalistas e políticos de oposição também têm sido presos.


Guatemala
Uma investigação sobre a corrupção ocorre há 13 anos no país. Em agosto, foi eleito um novo presidente, o político de direita Alejandro Giammattei. Ele promete combater a corrupção e criminalidade “com testosterona”.


Cuba
O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, acusa Cuba e Venezuela de incitar os protestos pela América Latina. O governo cubano nega.


Brasil
Entre outubro e novembro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro — filho do presidente Jair Bolsonaro — e o ministro da Economia, Paulo Guedes, fazem menção ao retorno do AI-5 (decreto da ditadura militar que iniciou o período mais violento do regime), no caso de haver manifestações violentas no Brasil.


Paraguai
Em julho, é revelado um acordo secreto entre o governo paraguaio e o brasileiro nos termos da distribuição de energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu (utilizada pelos dois). No documento, datado de maio, o governo do Paraguai se comprometia a pagar mais caro pela energia.
Uma revolta popular leva a oposição a pedir o impeachment do presidente Mario Abdo. Em agosto, o acordo é cancelado, e a Câmara paraguaia arquiva o processo de impedimento.


Argentina
Em meio a uma crise econômica, a centro-esquerda volta à Presidência com Alberto Fernández e sua vice, Cristina Kirchner (presidente entre 2007 e 2015). Antes das eleições, manifestações pontuais exigiam combate à fome e ao desemprego.


Suriname*
Em novembro, o presidente Desi Bouterse é considerado culpado pela execução de 15 oponentes de sua ditadura, que durou de 1980 a 1987. Apesar de condenado, ele ainda não foi sentenciado à prisão, e seu mandato, iniciado em 2010, vai até agosto de 2020, quando pretende se reeleger.


Guiana Francesa*
Em meio à crise ambiental na Amazônia, o presidente da França, Emmanuel Macron, lembra que parte da floresta está nas fronteiras da província francesa.
Em 2017, o país passou por uma greve geral que durou mais de um mês em protesto contra as taxas de desemprego e desigualdade para reafirmar uma identidade independente da França.


Uruguai
Ao longo de 2019, dois comandantes do Exército são demitidos por não reconhecerem os crimes da ditadura militar (que vigorou de 1973 a 1985).
Nas eleições de novembro, os uruguaios elegem o candidato da centro-esquerda, Luis Lacalle Pou, em uma vitória apertada sobre o candidato da Frente Ampla, partido de centro-direita que governou desde 2005 e do qual José “Pepe” Mujica faz parte. Nada indica que a transição de governos provocará crises.

