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Acílio Lara Resende

A expectativa de um novo governo está provocando mais ansiedade

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Foto: Duke
PUBLICADO EM 08/11/18 - 04h00

O medo nos põe em alerta. É considerado uma reação natural. Ninguém está livre dele. Às vezes, povoa nossa mente de pensamentos negativos, que nos atropelam sem aviso prévio. Provocam o que os psicólogos chamam de “síndrome do pensamento acelerado”. E é este, sem dúvida, a causa maior da ansiedade – um mal que dói até fisicamente. Como se não bastasse essa luta renhida, sofrida e diária de cada um de nós, a ansiedade, às vésperas de um novo governo, aumentou ainda mais, pois o presidente eleito, Jair Bolsonaro, ao longo de 28 anos como deputado federal, deu declarações que feriram o regime democrático. E não adianta dizer que isso já passou. Terá que provar, por atos claros, que essa fase foi ultrapassada de vez por ele.

Nego-me, porém, a engrossar a fila dos que acham que seu governo será uma enorme catástrofe, podendo até não chegar ao fim. Não vejo assim os riscos que teremos pela frente. Temos que ter paciência. O que interessa é o país como um todo. Não custa torcer para que tudo dê certo. Espera-se que, empossado na Presidência da República, não faltará ao capitão da reserva gente boa para ajudá-lo na afinação do verbo. Um cuidado que já poderia se iniciar desde já, para o bem do país. É dessa gente que ele vai precisar, por exemplo, para definir qual será nossa política externa. Alguns conceitos já expedidos têm deixado ruído ruim no ar.

A observação do ex-presidente Fernando Henrique, por exemplo, sobre esses posicionamentos, que, segundo ele, podem prejudicar a imagem do Brasil no exterior, não deveria receber farpas. Poderia, sim, ajudar no cuidado que se deve ter com esse importante setor. Desdenhar a China – um de nossos principais parceiros comerciais – e romper com o Mercosul (vide entrevista de Paulo Guedes) não serão, certamente, as melhores opções para nosso país. E a ideia de mudar a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém levou o Egito a cancelar visita oficial do chanceler Aloysio Nunes Ferreira. Conforme se noticiou, por lá já se achavam à espera 20 empresários brasileiros…

O bom humor, dessa vez, que poderia ser adotado por Jair Bolsonaro, ficou com o ex-presidente, que retrucou assim: “Na foto do Twitter do presidente eleito, eu apareço lendo um livro de ex-premier da China, deposto e preso, em que critica o regime. Isso aparece como ‘prova’ de que sou comunista. Só faltava essa. Cruz, credo!”

Na realidade, conhecemos muito pouco o presidente eleito. Na Câmara Federal, não apresentou projetos importantes, mas se destacou, em votações públicas, em virtude de posições profundamente equivocadas. Não vale a pena referir-se a elas, como se fossem mantras. Já foram muito divulgadas. Esse papel fará parte do pacote do PT, que, na oposição feroz que fará (ele não sabe fazer outra coisa), não será acompanhado por toda a esquerda, conforme antecipou, em entrevista, Ciro Gomes. Será reduzido a seu tamanho real, que, diga-se de passagem, não é nada desprezível: terá três governadores, quatro senadores e 56 deputados federais, além de prefeitos, vereadores e deputados estaduais espalhados pelo país. Ou seja: o PT continua vivo.

Tomara que o trabalho do juiz Sergio Moro como ministro da Justiça, obediente, como disse, “à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais”, sirva de verdadeiro mantra para o presidente eleito, que, mais que tudo, necessita de muita humildade para acertar.

Confiemos em nossas instituições democráticas.

Só elas nos conduzirão a bom porto.

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