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Acílio Lara Resende

A torcida a favor do sucesso do governo Bolsonaro

PUBLICADO EM 07/02/19 - 03h00

Tenho sido considerado pessimista por alguns amigos quando os advirto dos riscos que correm por esperarem tanto do governo de Jair Bolsonaro, cujo início se deu há, apenas, 30 dias. Procuro adverti-los, mas jamais me oporia à torcida que fazem com absoluta sinceridade.

Todavia, este novo na política ao qual se referem (que deve fortalecê-la, não acabar com ela – política e partidos são os meios para se resolverem conflitos), representado por alguns integrantes do governo, como os ministros das Relações Exteriores, dos Direitos Humanos e da Educação, me deixa incomodado. O novo deles é muito esquisito…

Por ora, fiquemos no ministro da Educação, que sem dúvida extrapolou todos os limites. Em entrevista à revista “Veja”, o filósofo Ricardo Vélez Rodríguez chamou os brasileiros de canibais: “O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisa dos hotéis, rouba assento salva-vidas de avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo”. E concluiu: “E esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola”.

Se essa declaração fosse de um ministro nascido no Brasil (nem precisaria ser o da Educação) já seria gravíssima, além de inoportuna. Seria motivo para sua demissão. Dada por alguém que não nasceu aqui, mas noutro país (Colômbia), deixa-nos, leitor, realmente intrigados. Vélez Rodriguez está no Brasil desde janeiro de 1979. Qual seria, enfim, a causa dessa declaração generalizada, além de grosseira?

Sei que é muito cedo para se fazer qualquer avaliação sobre um governo que se instalou agora. São muitas as suas promessas, e só a partir da última segunda-feira começamos a ouvir algo realmente importante. Tanto a proposta da reforma da Previdência, do ministro da Economia, Paulo Guedes, que parece estar no bom caminho, quanto a proposta do ministro da Justiça, Sergio Moro, que altera regras de progressão de regime, prevê endurecimento de penas para o crime organizado e para crimes de corrupção praticados por agentes públicos, são bem-vindas. A reforma da Previdência e o avanço no controle da impunidade são inadiáveis. Em sua mensagem aos parlamentares, no início do ano legislativo, o presidente declarou aberta a guerra contra o crime organizado: “Não temos pena nem medo de criminosos”, disse.

Mas o presidente Bolsonaro sabe muito bem que a vitória com a eleição de aliados para a presidência da Câmara e do Senado significa muito, mas não significa tudo, nem que estão superados todos os obstáculos. Ao contrário. Ele sabe que a “guerra”, na sua ex-Casa, começou agora. Mais que ninguém, ele sabe como funciona um Parlamento, e não só em nosso país, mas no mundo todo, sem exceção.

Fiquemos com o cantor e compositor Jards Macalé: “Vivemos num momento de trevas, nunca ouvi tanto essa palavra. Mas a treva também é o desconhecido. Pode haver esperança, a luz do fim”.

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