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Acílio Lara Resende

Não basta dar adeus aos governos do PT

PUBLICADO EM 07/03/19 - 03h00

O assunto que me sensibiliza não é o Carnaval – nem o velho, nem o atual. Do velho, confesso, tenho saudade. De uns anos para cá, tenho fugido do “novo”, que, a partir de dois ou três anos, tomou conta de Belo Horizonte. Desta vez, fiquei por aqui mesmo e, como muitos, fui vítima dos excessos. Como disse, em manchete, O TEMPO, “o Carnaval deixa lucro, alegria e lições para 2020”. No ano que vem, o trânsito, a violência e a falta de educação serão os desafios.

Passemos, pois, ao que deve preocupar os brasileiros – a política. Leitor assíduo costuma cobrar-me algo sobre minhas divagações semanais. Referindo-se ao meu último artigo, disse que, nas entrelinhas, critiquei o governo – legitimamente eleito, frisou –, como se fosse filiado ao PT (demonizado e diuturnamente criticado nas redes sociais). Ainda não aceitei, disse ele, a vontade majoritária do povo. “O que de fato você alimenta é a saudade da dupla Lula/Dilma”, provocou.

Pensei comigo: em primeiro lugar, meu leitor assíduo, com certeza, está se excedendo na leitura das entrelinhas (elas são usadas, mas não com o exagero que ele imagina); em segundo, é ele quem, ao adotar a nova direita radical, aproximou-se, sem o saber, do partido que ele tanto critica. Ele nunca foi petista, mas é, hoje, “bolsonarista”. Como os petistas (sobretudo alguns), que não enxergam defeito em Lula, ele também não enxerga nenhum defeito no presidente Bolsonaro. Ambos são radicais. Procuram caminhos caóticos na tentativa inútil de buscar soluções para os graves problemas por que passa o país.

Não foram os “bolsonaristas” – os novos integrantes de uma direita totalitária – que elegeram o atual presidente. Eles constituem minoria. A grande maioria votou no capitão da reserva para mudar “tudo isso que está aí”. Tentei dizer isso ao meu leitor assíduo, mas ele não se conteve e voltou à carga ao dizer que o governo ainda não completou dois meses e já estou cobrando resultados, como se isso fosse possível. “Bolsonaro não é fada madrinha nem tem varinha de condão”, concluiu.

Os radicais de direita, que apoiaram o presidente eleito e que atuam 24 horas por dia nas redes sociais, não aceitam qualquer crítica ao governo Bolsonaro. E, dependendo do interlocutor, vêm logo com esta pergunta: “O que você deseja, então, é a volta da dupla Lula/Dilma?” E não adianta dizer que a pergunta não tem sentido e que o mal que os dois fizeram está aí, à luz do sol, para quem quiser ver.

O que mais preocupa o brasileiro de bom senso é a incerteza em relação ao que de fato pensa o presidente, e não me refiro, apenas, à urgente reforma da Previdência. Refiro-me ao que ele entende por democracia. Ser contra a ditadura de Nicolás Maduro, mas exaltar Alfredo Stroessner, que dominou o Paraguai por 35 anos, é demais, não?

Não basta, leitor, só dar adeus aos governos do PT!

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