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Acílio Lara Resende

O Brasil pode pegar fogo por falta de bombeiro

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Foto: ALAN SANTOS/AFP
PUBLICADO EM 23/05/19 - 03h00

Tenho amigos que, cansados dos ideólogos do PT, ajudaram a eleger o presidente Jair Bolsonaro. Hoje, amargam doída decepção. Arrependidos, deixaram de lado a grave crise por que passa o país para, simplesmente, cuidar de si próprios. Resolveram adotar a legítima defesa do instituto do silêncio por um tempo. Embora calejados, esse abandono, admitem eles, pode ser provisório: “Não dá mais para suportar tanta burrice, tanta bizarrice, tanta estultice, tanto radicalismo”.

Eles têm razão de sobra. A sensação dominante é que falta um mínimo de bom senso aos dois lados, que se digladiam de maneira irracional e odienta. Sumiram o diálogo ou o debate inteligente e civilizado. Agora, é só confronto. Não foi esse o termo utilizado, há dias, pelo próprio ministro da Educação, Abraham Weintraub? Não é esse o exemplo diário que dá aos brasileiros o próprio presidente da República?

A crise irracional que se radicaliza cada vez mais provoca depressão. O raciocínio de que o governo Bolsonaro, apesar de ruim, é melhor do que a gestão do PT, não convence. Perdoem-me os que pensam assim, mas essa apelação em nada contribui. Os governos do PT já se foram, encabeçam a lista dos devedores do país. Além do mais, nem tudo que é apenas contra o PT é bom. Quem se vestiu agora de salvador da moral, da ética, dos bons costumes e do combate à corrupção foi Jair Bolsonaro. Depois da posse, porém, dispensou a oposição. Briga consigo mesmo. Diariamente, alimenta a fogueira que ele próprio criou. Na internet, seus defensores fanáticos (não confundir com seus eleitores) querem jogar a culpa do que ainda não fez, exclusivamente, no Congresso, no Supremo Tribunal Federal, na imprensa e no PT. Para isso, planejam um movimento (e quem é contra é comunista…) que tem, como um dos objetivos, invadir o Congresso e o STF. É esse seu verdadeiro lado? Se for, está próximo daquele que muitos petistas defenderam para o país. Serão irmãos gêmeos? Nem os bons ministros do seu governo (e ele os tem) serão capazes de salvá-lo. Com a ajuda de quatro acólitos (três indígenas e um alienígena), aliados aos ministros da Educação, das Relações Exteriores e do Meio Ambiente, Jair Bolsonaro chegará ao pior dos lugares – o brejo.

Depois que o próprio presidente compartilha um vídeo do pastor Steve Kunda, nascido no Congo, fundador de uma igreja, na França, que o considera “escolhido por Deus para comandar o país”, o que mais falta para acontecer de bizarro entre nós? Mais nada, leitor!

Nos idos de 1964, quando a situação política andava braba, e depois da diatribe de Hélio Pellegrino contra a “revolução”, meu irmão Otto Lara Resende, tentando contê-lo, dizia: “A hora é de vestir o uniforme de bombeiro, mas com a determinação de apagar o fogo...”

Quem, hoje, seria o bombeiro capaz de debelar a fogueira iniciada pelo presidente e por perigosos acólitos que o cercam?

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