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Acílio Lara Resende

O que a vida quer da gente é coragem

Vélez Rodrigues
Sem experiência em gestão e com poucas conexões com o debate educacional, Vélez montou equipe a partir da indicação de vários grupos | Foto: MARCELO CHELLO/ESTADÃO CONTEÚDO
PUBLICADO EM 11/04/19 - 03h00

Referi-me aqui, na semana passada, baseado em dados do Centro de Políticas Sociais da FGV, que, nos últimos quatro anos, a pobreza aumentou no país com a inclusão de 6,3 milhões de novos pobres. Segundo cálculos da “Folha de S.Paulo”, a partir de um documento divulgado pelo Banco Mundial, esse contingente subiu ainda mais: “A crise econômica empurrou 7,4 milhões de brasileiros para a pobreza entre 2014 e 2017. O acréscimo reflete um salto de 20,5% – de 36,5 milhões para quase 44 milhões – no número de pessoas vivendo com menos de US$ 5,50 (R$ 21,20) por dia”.

Isso nos faz chegar à tenebrosa conclusão, depois de sofridas décadas e de tantas lutas duras, de que nossos representantes (eleitos por nós, diga-se de passagem), em sua maioria esmagadora, nunca pensaram nos pobres, que constituem enorme parte do povo brasileiro. Isso não é só triste. É profundamente decepcionante, leitor!

Essa minoria pensou só nela, no seu grupo, na sua sobrevivência política, material (e de sua família), na sua ideologia, qualquer que seja ela, se é que de fato a teve um dia. Lutou pelos seus projetos com meios quase sempre desonestos. O que a direcionou durante a vida foi a moral do búfalo, vale dizer, foi a moral nenhuma.

Desculpem-me se estou sendo exagerado, mas é esse o sentimento que me invade hoje diante de um país com os nervos à flor da pele, dividido, vilipendiado e com um crescimento cada vez maior da pobreza. E, agora, sem capacidade de reagir à menoridade intelectual que, com insistência nunca vista, bate à sua porta. Essa talvez seja a pior pobreza de um povo, que passa a não acreditar em mais ninguém. 

Para saber o que está acontecendo no país hoje, basta ter vivido o passado ou, como dizia Machado de Assis, “basta ter padecido no tempo”. Vivi o passado, padeci no tempo e hoje vejo se esvair uma grande oportunidade que, mais uma vez, se põe nas mãos de um governante. Não digo que é o fim do mundo, mas apenas sinto que o caminho até agora palmilhado pelo presidente Jair Bolsonaro só o conduzirá a encruzilhadas jamais vistas. O maior exemplo está na política desastrosa que tentou implantar no Ministério da Educação por meio do ministro Vélez, que, felizmente, deixou o cargo na última segunda-feira.

Segundo Guimarães Rosa, leitor, “o correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

Pense nisso, presidente, e deixe de lado não só os erros gritantes cometidos até agora, mas as tolices que marcam os seus cem dias de governo, como a de querer reescrever nossa história. Tenha coragem de dar rumo ao MEC por meio de quem entende de educação. Coragem, afinal, de deixar a campanha e governar o país. É disso que o povo precisa. Educação é o segundo nome do desenvolvimento. 

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