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Ana Paula Moreira

Um pouco de justiça no futebol brasileiro

PUBLICADO EM 23/08/18 - 03h00

Um pouco de justiça começa a ser feita no futebol brasileiro com a condenação do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin a quatro anos de prisão pelos crimes cometidos quando estava no comando da entidade. O ex-dirigente foi condenado pela juíza Pamela Chen, da Corte Federal do Brooklyn, em Nova York, por conspiração para organização criminosa, fraude financeira nas Copas América, Libertadores e do Brasil e lavagem de dinheiro nas Copas América e Libertadores pelo período entre 2012 e 2015.

Marin é apenas uma peça do intrincado quebra-cabeça dos esquemas de corrupção que rondam o futebol no país. Ele foi preso em maio de 2015, em Zurique, na Suíça, junto com outros sete dirigentes esportivos. Na época, Marin era o vice-presidente da CBF e estava no país europeu para uma conferência da Fifa. Cinco meses após sua prisão, o ex-dirigente foi extraditado para os Estados Unidos, para terminar de responder ao processo de investigação feito pelo FBI. Após pagar US$ 15 milhões, ele ficou em prisão domiciliar até dezembro do ano passado, quando foi condenado por seis dos sete crimes pelos quais estava sendo acusado e levado a prisão no Brooklyn.

Infelizmente, outros membros da quadrilha de crimes organizados do futebol brasileiro não vão ter o mesmo destino de Marin. Indiciados pelos mesmos sete crimes, os ex-presidentes da CBF Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero – este último banido para sempre das atividades ligadas ao futebol pelo Comitê de Ética da Fifa – não foram presos pois estão no Brasil. Por lei, o país não extradita seus cidadãos e, assim, ficam longe das autoridades norte-americanas. Desde então, os dois não viajaram mais para o exterior, onde poderiam ser presos.

O problema, como disse anteriormente, é que Marin é só mais um dentro desse esquema, que já dura décadas e não tem nenhuma prenúncio de estar perto de se encerrar. A presidência da CBF muda de nome, mas a linhagem é basicamente a mesma. Ricardo Teixeira assumiu o cargo máximo da entidade em 1989 e só deixou a função em 2012, após 23 de poder. Quem assumiu em seguida foi, justamente, José Maria Marin, que ficou de 2012 a 2015, e era vice-presidente de Teixeira. Na sequência, Marco Polo Del Nero, aquele mesmo que foi banido do futebol, esteve à frente da entidade até ser suspenso em 2017. O próximo presidente da CBF, Rogério Caboclo, que assumirá cargo no início do ano que vem, foi apoiado por Del Nero.

Enquanto são investigados nos Estados Unidos e não podem nem deixar o país, no Brasil, não pesa nenhuma acusação sobre Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero. Eles, provavelmente, vão passar impunes pelos crimes que cometeram à frente da CBF. Ainda assim, é muito bom ver alguma justiça sendo feita com a condenação de Marin e outros dirigentes mundo à fora. Que seja o começo, que a possibilidade de correção iniba os próximos comandantes do futebol brasileiro de seguirem com esquemas corruptos e lavando dinheiro que poderia ser investido para melhorias nas categorias de base e no futebol feminino.

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