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Cândido Henrique

É preciso estar atento ao futebol sul-americano

PUBLICADO EM 10/03/19 - 03h00

Todo sorteio da Copa Libertadores leva a mesma discussão. Qual o brasileiro tem o caminho mais fácil na competição. Qual tem mais elenco para chegar à final do torneio. Parece que os brasileiros, por conta dos orçamentos maiores que os demais sul-americanos, sempre entram como franco favoritos.

A discussão desconsidera o trabalho dos outros clubes sul-americanos, dando uma colher de chá apenas para os gigantes Boca Juniors e River Plate, da Argentina. Fora esses clubes, a ideia generalista é de que qualquer um desses times não aguentariam a disputa do Campeonato Mineiro.

Na pré-Libertadores, nos duelos do Galo contra Danubio e Defensor, de quantas pessoas você ouviu este discurso? “O Danubio passaria apenas jogando em Divinópolis”. “O Defensor não ficaria entre os cinco primeiros do Estadual”. Ouvi de todas as alas.

O mesmo aconteceu no início da fase de grupos. Parece que Atlético e Cruzeiro entrariam para cumprir tabela e já se classificar para as oitavas de final. O Galo, nessa toada, nem contratou jogadores para esta fase, apesar de ter vulnerabilidade clara em vários setores.

A primeira rodada bastou para mostrar que é preciso ter mais respeito aos adversários, seja de qualquer país sul-americano. Contra um Cerro Porteño, muito bem treinado pelo espanhol Fernando Jubero, o Galo não criou nada e abriu espaço para que os paraguaios vencessem por 1 a 0 em pleno Mineirão.

Placar surpreendente para quem não acompanha o futebol sul-americano, mas totalmente normal para quem conhece o bom trabalho de Jubero pela América do Sul.

A derrota para os paraguaios caiu com o peso da realidade dentro do Galo. Tanto que, antes de a semana terminar, a diretoria já anunciou a contratação do atacante Geuvânio, ex-Santos e Flamengo, e já pensa na busca de um lateral-esquerdo.

Todas são contratações que deveriam ter sido feitas para a disputa da fase de grupos. Agora, Levir Culpi terá que montar um time competitivo com um elenco claudicante. Não espere jogo fácil contra o Nacional, no Uruguai, nem com o Zamora, na Venezuela.

Vitória suada. Já o Cruzeiro teve um início mais promissor na Libertadores, no entanto, a dificuldade para vencer o Huracán, na Argentina, mostra que é preciso ter também respeito pelo trabalho realizado pelos outros times sul-americanos.

As seleções de base do Brasil são exemplos disso. Dos últimos quatro Mundiais sub-20, o Brasil não participou de três. Equipes como Equador e Venezuela têm franca ascensão e não têm medo algum de enfrentar o time verde-amarelo.

Além de mais uma eliminação do Mundial sub-20, o futebol brasileiro recebeu provas de que é preciso respeitar o tamanho do futebol vizinho ainda na pré-Libertadores. O poderoso São Paulo foi eliminado com facilidade pelo Talleres, time da terceira prateleira da Argentina.

Na fase seguinte, o mesmo Talleres acabou eliminado pelo Palestino, time modesto do Chile, que está no grupo do Internacional e do River Plate nesta fase da competição. Os brasileiros precisam rever seus conceitos de futebol e, principalmente, acompanhar o que acontece ao redor.

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