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Cândido Henrique

Neymar não é o melhor da seleção pós-Pelé

PUBLICADO EM 17/02/19 - 03h00

A revista “Placar” cravou na sua última edição que Neymar é o maior jogador da seleção brasileira pós-Pelé. A cara de Petkovic, hoje comentarista do SporTV, é a mesma que fiz quando vi a publicação pela primeira vez.

O texto é direto. Ele diz: “10 anos de futebol de Neymar. Uma década em que assistimos ao maior jogador brasileiro pós-Pelé desfilar seu futebol talentoso, alegre, campeão... e polêmico, claro”.

Há explicações para isso e elas estão nos números. Apenas nos números. Neymar, aos 27 anos, já tem 60 gols. Ele já ultrapassou Romário e só tem Zico (66), Ronaldo (67) e, lógico, Pelé (95) a sua frente. A aposta de todos é que o atacante do PSG ultrapasse o terceiro e o segundo em pouco tempo.

No entanto, o tamanho do jogador não pode ser medido apenas em números nem em quanto midiático ele possa ser. Neymar não tem títulos relevantes com a seleção brasileira.

Exceto uma medalha de ouro em uma Olimpíada programada para a conquista, Neymar é o ícone de uma geração que não decola. Ele é líder de uma geração que promete pouco e entrega menos ainda.

Na minha lista, ele está atrás de Romário, Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo. Isso para falar só os atletas que vi jogar ao longo dos meus pouco mais de 30 anos. Coloque nesta lista ainda Zico, Éder, Sócrates e Falcão. Ícones da seleção de 1982, que prometia muito, mas caiu para a casualidade do futebol.

Todos os citados foram referências em times que encantaram o mundo. Neymar ainda não conseguiu o protagonismo que todos esperam desde 2010. Ou seja, há nove anos. Ele não é mais menino e, no seu auge, no Barcelona, foi coadjuvante de uma temporada exemplar de Lionel Messi, ao lado do uruguaio Luis Suárez.

Lógico que Neymar fez jogos em que chamou mais a atenção que a dupla do rio da Prata, mas nunca pôde ser considerado protagonista do Barça. Aliás, deixou a Catalunha para Paris buscando esta marca e, em poucos anos, tem que dividir os holofotes com Cavani e o jovem francês Mbappé.

Quem esperava que Neymar seria o primeiro jogador a destronar Cristiano Ronaldo e Lionel Messi no Bola de Ouro errou feio. Em 2018, a honraria ficou com o croata Luka Modric. E, hoje, este prêmio está mais perto de jogadores como Mbappé do que Neymar.

Midiático, Neymar tem mais torcida do que protagonismo, principalmente com a seleção brasileira. A lesão nas quartas de final o tirou da vergonhosa derrota por 7 a 1 sobre a Alemanha.

No PSG, em outros momentos em que poderia assumir um protagonismo, o camisa 10 estava no estaleiro. Ele esteve fora de jogos importantes da Liga dos Campeões em 2018 e também em 2019, abrindo caminho para a consolidação da idolatria por Mbappé no futebol francês.

Para ser o maior pós-Pelé, portanto, é preciso mais do que números. É preciso estar pronto para jogar no momento certo. É necessário ser protagonista em todos os clubes que passou. E é preciso ser campeão da Copa.

Neymar não tem este título e, pensando que, no próximo mundial, ele estará com 30 anos, é possível dizer que ele tem só mais uma chance.

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