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Fernando Fabbrini

Polícia é assim mesmo

Hélvio
Foto: Hélvio
PUBLICADO EM 16/05/19 - 03h00

Primeiro caso. Uma cidadezinha na Suíça. O brasileiro morava lá por conta de um curso. Perfeitamente integrado à vida tranquila da comunidade, fazia caminhadas e corridas em torno de um lago muito bonito, no meio de um parque, toda tarde. Numa dessas, assentou-se num banco para descansar, esquentando e alongando os músculos contraídos pelo frio bravo. 

De repente, reparou numa pequena bolsa – tipo “pochete” – pendurada na beirada do banco. Abriu-a. Havia uma carteira com muito dinheiro, documentos e um par de óculos escuros – coisa chique, de grife. Nossa! Certamente alguém esquecera a referida ali; talvez um atleta de fim de tarde como ele. O brasileiro não teve dúvidas: pegou a bolsa e caminhou para um posto policial que existia na saída do parque. O guarda abriu a janelinha:

– Pois não?

– Boa tarde, alguém esqueceu esta bolsa ali num banco. Achei melhor trazê-la para cá.

O policial fez uma cara enigmática. Franziu as sobrancelhas. Coçou a cabeça:

– “Trazê-la”, por quê? Quando a pessoa que a perdeu voltar para buscá-la não vai encontrar. Deixe-a no mesmo lugar. Melhor, né?

Segundo caso. Um estrada deserta no norte dos Estados Unidos. O brasileiro, num carro alugado, motor possante e toda a tecnologia de bordo, acelerou demais, ultrapassando a velocidade permitida no trecho. Não demorou muito e ouviu a sirene de um carro da polícia, faróis piscando atrás. Estacionou. O policial pediu documentos, verificou tudo.

– O senhor é turista, não?

– Sim...

– Bem, a velocidade aqui é de 65 milhas por hora. O senhor estava a quase 75. Está com pressa? Algum problema urgente, alguma emergência?

O motorista achou melhor contar a verdade:

– Não... Apenas me distraí, senhor guarda.

– Ok, não vou multá-lo. Porém, vou retê-lo aqui durante 20 minutos para que o senhor se acalme um pouco, certo? Assim descontamos o seu excesso de velocidade. Depois, pode prosseguir viagem. 

Terceiro caso. Também numa estrada, no interior da Noruega. Também um brasileiro, ao volante de um carro alugado. Estrada sensacional, começo da noite, inverno, gelo na pista. De repente, uma van da polícia se aproxima e pisca os faróis, sirene ligada. O brasileiro para no acostamento, e a van faz o mesmo.

Descem dois policiais, batem continência: 

– A luz de freio esquerda de seu carro está queimada. 

O brasileiro tremeu. Esta agora! Imagine a ferrada! Guiando na Noruega com uma luz de freio queimada! Uma multa daquelas! O policial pediu que ele aguardasse um pouco. Até sugeriu: se quisesse, poderia descer e esticar as pernas. Foi o que o brasileiro fez, curioso. 

Os policiais abriram as portas traseiras da van. Lá dentro havia uma miniloja de autopeças: prateleiras com limpadores de para-brisas, correias dentadas diversas, fluidos e mangueiras para radiadores, cabos elétricos, baterias. E lâmpadas, de todo tipo, para todas as marcas de carro. Batendo papo lá entre eles, algum assunto banal, os guardas rodoviários fizeram o serviço em minutos. Tiraram a lâmpada queimada, puseram uma nova, pediram licença para testá-la, pisando no freio repetidas vezes. 

– Ok, senhor, tudo certo. É perigoso andar com uma luz de freio queimada. Agora o senhor pode viajar com segurança. Obrigado!

E se foram – não sem antes oferecer ao brasileiro um copo de chocolate quente, ideal para uma noite fria daquelas, delícia proveniente de uma minúscula cozinha também instalada dentro da van. 

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