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Leandro Cabido

O futebol brasileiro entregue à decepção

PUBLICADO EM 12/02/19 - 03h00

Estamos fora do Mundial sub-20 da Polônia, a ser realizado no mês de maio. Vimos uma seleção no Sul-Americano do Chile que reflete exatamente o que estamos vivendo em relação ao nosso futebol. Time apático, mal treinado, repleto de jogadores que nem sequer são realidade nos seus clubes, mas que já têm salários altos e até um staff para cuidar das suas respectivas carreiras.

Falando exclusivamente sobre o torneio no país andino, a situação era muito cômoda para os brasileiros, do técnico Carlos Amadeu. Bastava ficar entre os quatro melhores no hexagonal final, sendo que alguns dos adversários não eram dos mais tradicionais da América do Sul.

O que se viu foi um ajuntado de nível técnico questionável, que não conseguiu se impor diante de rivais que, pasmem, conseguiram se manter muito melhor durante toda a competição.

A reflexão que fica é que realmente olhamos para o nosso futebol de base sem qualquer cuidado. O resultado da CBF nesse contexto é o pior possível: ela basicamente cedeu ao mercado e viu o esporte mais popular do país ser entregue aos empresários.

A responsabilidade também precisa recair sobre os clubes. Estes, já trabalham os nossos atletas como mercadoria vislumbrando uma negociação futura ou até mesmo imediata. Enquanto nós tratarmos os nossos atletas como produtos, eles sempre serão vistos como produtos. Algo precisa mudar. E rápido.

De maneira geral, temos uma safra qualificada. Não é a melhor do mundo. Aliás, isso precisa ser colocado na nossa cabeça. Esse título era merecido, sim, porém foi em uma época na qual o futebol era instinto puro e o nosso improviso e talento eram capazes de sobressair. Com a ciência e a profissionalização, perdemos esse posto. Se continuar assim, ficaremos ainda mais atrasados em relação à Europa, principalmente.

Quanto ao agora, não vejo outra saída a não ser uma reformulação nas nossas categorias de base. Não pode jamais o lobby empresarial imperar diante da qualidade. Outra coisa que precisa ser revista é o posicionamento dos profissionais em relação às promessas. O trabalho da CBF precisa ser mais integrado, com um intercâmbio muito maior do que temos hoje.

Dinheiro para investimento nós estamos carecas de saber que temos. Resta saber se está sendo bem empregado.

Tragédia no Ninho

Muito já se discutiu, e muitos já foram enterrados. O que precisamos agora é que a investigação trabalhe independentemente da paixão pelo clube. Se o Flamengo for realmente o culpado, que pague por isso. Não podemos aceitar tragédias como se fossem meras fatalidades.

Vejo muitos isentando a instituição em razão das suas escolhas futebolísticas, mas os próprios torcedores rubro-negros precisam ser maiores do que isso. Até mesmo alguns da mídia estão pisando em ovos para discutir sobre os verdadeiros responsáveis.

O incêndio ceifou a vida e os sonhos de dez meninos. Dez famílias. Que Deus conforte o coração de todos e dê força para os sobreviventes seguirem suas vidas.

Boechat

Em tempo, fica aqui o meu agradecimento por ter vivido na mesma época que o grande gênio do jornalismo brasileiro, Ricardo Boechat. Que seu trabalho inspire a todos. Que descanse em paz.

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