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Lohanna Lima

Arrascaeta: de promessa a realidade

PUBLICADO EM 25/10/18 - 02h00

Eu me lembro bem dos primeiros momentos de Giorgian de Arrascaeta na chegada a Belo Horizonte. Com 20 anos recém-completados à época, o meia era uma das promessas do Uruguai e quase desembarcou em Porto Alegre para defender o Internacional. Com um jeito muito introvertido e um espanhol carregado, era difícil entender qualquer coisa que ele falava e era perceptível que a adaptação seria seu primeiro grande desafio.

E assim foi. Arrascaeta chegou em meio ao desmanche do time bicampeão brasileiro, com a missão de ser o camisa 10 de um clube que tinha naquele momento o objetivo de ser campeão da Libertadores. Obviamente, o primeiro ano dele não foi como se esperava, tendo atuações, em sua maioria, discretas e outras que mostravam que ele tinha, sim, uma qualidade, mas que precisava ser lapidado.

O ambiente também não ajudou. A saída de Marcelo Oliveira, a eliminação na Libertadores e na Copa do Brasil, a preocupação com o risco de rebaixamento foram ingredientes que contribuíram ainda mais para uma primeira temporada difícil.

O fato de Mano Menezes iniciar a temporada passada no comando do time e a chegada de um jogador experiente como Thiago Neves, para mim, foram os principais pontos para o crescimento de Arrascaeta. Tendo a seu lado alguém para chamar a responsabilidade e um treinador que iria iniciar um trabalho em vez de retornar para apagar incêndios – como havia acontecido anteriormente –, era hora de saber se Arrascaeta iria evoluir ou continuar sendo a eterna promessa uruguaia.

Arrascaeta não foi titular na conquista do pentacampeonato da Copa do Brasil em 2017, mas coube a ele o gol que colocou o Cruzeiro em igualdade no Maracanã, diante do Flamengo, para trazer a decisão totalmente em aberto para BH. O resto eu não preciso dizer, está na história.

Neste ano, Arrascaeta viveu, com certeza, o melhor ano de sua carreira. Quando tudo parecia perdido na final do Estadual, ele saiu do banco para marcar o único gol do Cruzeiro no Independência e colocou fogo na partida da volta ao abrir o placar no Mineirão antes dos três minutos de jogo.

Se na chegada ele era o desconhecido De Arrascaeta, em 2018 ele passou a ser o Arrasca, assim carinhosamente chamado pelo torcedor. Já titular absoluto de Mano, foi ausência muito lamentada nos jogos contra o Palmeiras, na Copa do Brasil, e diante do Boca Juniors, em Buenos Aires.

Com a torcida e a comissão técnica já quase conformadas com a ausência do uruguaio também contra o Corinthians, Arrascaeta ainda tinha mais história para fazer. Novamente ele saiu do banco, depois de encarar mais de 20 horas de voo do Japão ao Brasil, para marcar outro gol em outra grande final e, com lágrimas nos olhos, viu o torcedor gritar seu nome a plenos pulmões após o apito final. Tá feito, Arrascaeta! Você conseguiu.

A pergunta que fica agora é: por quanto tempo o meia seguirá no Cruzeiro? A resposta é difícil, mas fato é que o menino uruguaio, enfim, deixou de ser apenas uma promessa. Arrascaeta é realidade, é decisivo, tem qualidade e o seu nome está, definitivamente, cravado na rica história do clube celeste.

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