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Lohanna Lima

Dos gramados para o banco da universidade

PUBLICADO EM 10/01/19 - 03h00

A consciência de que a carreira de jogador de futebol é curta e de que há uma necessidade de se preparar para o futuro não é algo comum para os boleiros. É normal vermos jogadores com menos de um ano de carreira – ou até mesmo nas categorias de base – envolvidos em polêmicas e bastante preocupados com coisas superficiais antes mesmo de se firmarem como nomes respeitados da modalidade. Muitos, inclusive, nem alcançam esse patamar, e o resultado acaba sendo uma frustração somada a necessidades financeiras em um curto espaço de tempo.

Na contramão desse cenário está um jovem jogador que, nessa quarta-feira (9), foi apresentado oficialmente pelo Atlético. Com apenas 23 anos, o zagueiro Igor Rabello é bacharel em Educação Física. A obtenção do título veio em meio à disputa da Libertadores de 2017 pelo Botafogo, quando ele apresentou o trabalho de Conclusão de Curso (TCC) nas vésperas da viagem para Montevidéu, onde o time da estrela solitária enfrentaria o Nacional-URU pelas oitavas de final da competição.

Diante dessa informação, muitos torcedores podem se perguntar: “E o que isso importa para o Atlético? O que interessa é o cara jogar bem e ganhar títulos." Sim, óbvio, mas o conhecimento técnico adquirido por Igor na faculdade tem sido um dos seus diferenciais na carreira. Na temporada passada, o Botafogo entrou em campo 62 vezes, e o jogador ficou fora de apenas uma partida, por suspensão. Quando questionado sobre os números e a que ele atribuía tanta regularidade, ele não titubeou em dizer que era formado em educação física e que o fato de saber como prevenir lesões era um dos motivos pelos quais sua última temporada havia sido tão boa.

No elenco atleticano, outros dois jogadores também pensaram na vida além das quatro linhas e foram parar nos bancos da faculdade. Coincidência ou não, são dois grandes ídolos da torcida atleticana: o zagueiro Leonardo Silva, atualmente no quarto período do curso de educação física, e o goleiro Victor, que se formou na mesma profissão em 2006. Prestes a se aposentar, Léo Silva vai fazer a transição dos gramados direto para um cargo de gestão no Galo. Além deles, o zagueiro Mateus Stockl e o volante Lucas Cândido também vão iniciar os estudos neste ano.

Para muitas pessoas que acompanham o futebol, o diferencial desses atletas pode não ter muita importância ou ser algo totalmente indiferente. Para aqueles, assim como eu, que são críticos da alienação por parte de jogadores e torcedores, ver que algo está mudando no pensamento deles é relevante. É possível que a gente esteja, inclusive, presenciando o início ainda tímido de uma maior consciência do que os jogadores representam, principalmente para os mais jovens, e de mais profissionalismo no futebol de agora em diante.

Neste momento difícil e conflituoso que atravessa a sociedade brasileira como um todo, qualquer iniciativa que possa agregar conhecimento e novas ideias deve ser exaltada. Ver isso acontecer no futebol gera entusiasmo, e eu realmente torço para que seja algo cada vez mais comum nesse meio tão marcado pela superficialidade e ignorância. 

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