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Luiz Tito

Descarrilou o aumento

PUBLICADO EM 15/05/18 - 03h00

Oportuna a medida sustentada em ação popular impetrada pelo deputado federal Fábio Ramalho para impedir o aumento do preço das passagens do metrô de BH, de R$ 1,80 para R$ 3,40. Numa majoração de quase 90%, a CBTU tentou empurrar goela abaixo dos usuários o novo valor, apenas com a justificativa de que seria necessário recompor a tarifa, “há 12 anos nunca reajustada”, segundo a empresa. O juiz Mauro Pena Rocha, da 4ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte, em rápida decisão, expediu a notificação à concessionária pública do serviço para que esta suspendesse a cobrança do preço injustamente majorado, evitando-se assim maiores prejuízos aos usuários daquele modal de transporte.

Ontem, falando a CBTU, somente o que se ouviu foi o argumento de que tal reajuste seria uma questão de justiça à empresa, que há mais de uma década acumula prejuízos financeiros na prestação de seus serviços. Ninguém duvida, tampouco se entende como uma empresa acumula tais danos em seus resultados sem empreender medidas para evitar perder seu patrimônio, que há mais de uma década estaria definhando e descendo pelo ralo.

Outras capitais, também atendidas pelo metrô da CBTU, como Recife, Natal, João Pessoa e Maceió, praticaram o mesmo aumento, mas ontem não se sabia de qualquer medida que impedisse, como ocorrido em BH, a prestadora dos serviços de exercer a cobrança de novos preços. Parece que saímos na frente. Nas cinco capitais citadas, incluindo-se BH, a decisão se espelhou no mesmo erro, o de não se exercerem os reajustes em percentuais menores, que também em menor escala viessem a impactar de forma mais tolerável o orçamento familiar dos usuários.

Há tempos rolam em Brasília estudos cujo objeto seria a reorientação da decisão de se privatizarem tais serviços, por meio da participação de grandes grupos, alguns até mesmo detentores de experiência internacional, dispostos e capazes de fazer os investimentos em modernização de equipamentos, maior eficiência operacional em seu oferecimento e expansão para outras regiões densamente habitadas. Sabe-se que tais dificuldades estão mais fortemente localizadas na aceitação dos empregados e correspondentes sindicatos que representam aqueles que compõem os quadros da CBTU, temendo-se eventual necessidade de renúncia ou suspensão de vantagens que fatalmente ocorreriam contra os interesses da categoria. Justíssimo, porque ninguém quer perder salários e vantagens, mas tampouco é admissível que um serviço de tamanha importância social, na dimensão e abrangência que tem, fique à mercê do interesse de categorias de empregados.

O mundo está mudando a uma espantosa velocidade. Entender essas transformações é inadiável e fundamental. Com justiça, sem prejuízo dos que trabalham na empresa, mas que sejam empreendidas, urgentemente, para o bem da coletividade.

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