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Luiz Tito

Estamos à míngua

PUBLICADO EM 06/11/18 - 04h00

O governador eleito Romeu Zema vai assumir o comando do Estado de Minas Gerais, o terceiro mais importante da Federação em arrecadação e o segundo em população, em nome do compromisso prioritário de equilibrar as contas públicas e devolver a Minas o respeito e o peso político e econômico que sempre lhe foram reconhecidos. Vai assumir uma usina de problemas para tentar reconstruir o Estado e fazê-lo chegar pelo menos próximo do que já foi.

Esse foi também, no seu início, o compromisso do atual governo, não realizado em consequência do desordenamento verificado em quase todos os setores de um Estado cujo chefe passou a maior parte dos quatro anos de sua gestão defendendo-se de acusações que lhe foram impingidas – algumas trazidas de sua passagem por ministério no primeiro mandato da ex-presidente Dilma, depois pelas dificuldades de explicar a origem dos recursos nas contas de sua campanha e, para finalizar, por outros constrangimentos gerados quando já sentado na cadeira de governador. Tão má sorte o obrigou, primeiro, a terceirizar seu governo para meia dúzia de três ou quatro secretários e, depois, a trocar com a Assembleia favores que o mantiveram no mandato, que arquivou pedidos de impeachment com os quais ele fora ameaçado e que lhe poderiam ter dado o mesmo destino em que hoje se encontra Dilma Rousseff.

Não há setor da administração pública de Minas Gerais que esteja vivendo minimamente ajustado. Segurança, saúde, educação e infraestrutura têm, todos, perfis vergonhosos, jogando ainda mais para baixo o já comprometido acervo de nossas misérias.

Zema navegará com certa facilidade no seu anunciado propósito de cortar despesas admitidas como desnecessárias. Por exemplo, uma peneira no festival de cargos comissionados que formam o estoque mineiro poderá reduzir drasticamente as despesas que hoje existem com pessoal, que ante a arrecadação de impostos representa mais de 90% em Minas. Um percentual tão significativamente comprometedor da receita apenas com a remuneração da folha de pagamentos não deixou qualquer sobra para investimentos. A pergunta frequente de por que não se fez uma revisão dessa realidade nunca recebeu resposta do governo Pimentel, que optou pela majoração de tributos onerando alguns setores da economia, bem como pela redução dos investimentos nos serviços básicos de saúde, educação e segurança e, de forma ainda mais degradante, pelo pagamento parcelado dos vencimentos dos funcionários públicos. Praticada desde 2016, essa operação contribuiu muito para que Pimentel e os demais candidatos do PT mineiro alcançassem as respostas que foram dadas a eles pela eleição deste ano.

Que venha Romeu Zema, mas, todos esperamos, consciente da responsabilidade que será governar Minas Gerais com grandeza e determinação, na dimensão exigida pelo cargo que ocupará, outorgado por significativa parcela dos mineiros.

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