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Luiz Tito

Inconsequência e desleixo

PUBLICADO EM 30/04/19 - 03h00

Em artigo assinado por Vittorio Medioli no último domingo, como articulista habitual deste espaço, foi denunciada a letargia dos últimos governos no enfrentamento do quadro de dificuldades que motivaram a precariedade de nossa atual situação fiscal. Ele realçou o inchamento contínuo do custeio das folhas de pagamento, sem, em contrapartida, verificar-se qualquer melhoria na qualidade dos serviços prestados pelo Estado nas frentes de sua obrigatória presença. Mais irresponsavelmente ainda, criamos despesas num momento em que as receitas orçamentárias caíam vertiginosamente. As críticas do texto estão estruturadas em números oficiais do Siafi e de outros organismos do próprio Estado, governo por governo – Aécio Neves, Antonio Anastasia, Alberto Pinto Coelho e, por último, Fernando Pimentel. A tal desleixo se chama “irresponsabilidade administrativa continuada”.

Na mesma edição, também em bem apurada e construída matéria, a jornalista Ludmila Pizarro traz números do custeio do nosso sistema prisional, que são, no mínimo, alarmantes. O Estado de Minas Gerais gasta mensalmente cerca de R$ 300 milhões para manutenção de 75.295 detentos, um custo individual de hotel quatro estrelas, mas que apenas sustenta estruturas desumanas, verdadeiras pocilgas, que em nada contribuem para a recuperação de tais presos; pelo contrário, agravam suas deformações, porque os deposita como animais em locais imundos, amontoados, transmitindo entre eles enfermidades as mais diversas, algumas graves e perigosas para a saúde pública.

De ninguém se ouve falar sobre qualquer providência ou estudo que seja, para se criarem alternativas econômicas e minimamente inteligentes para amenizar um problema que há décadas só se agrava e, com ele, debilita ainda mais a já falida estrutura de segurança pública, comprometida especialmente por sórdida corrupção, que faz do sistema prisional um milionário negócio para facções do crime organizado, para fornecedores de tudo que lá se consome e para as empresas concessionárias dos serviços de administração penitenciária. Por que nunca se investiga esse setor, que corrói as finanças de um Estado falido, que não tem recursos para pagar o 13º salário do ano que passou aos seus funcionários, que manda cortar os serviços de educação em tempo integral de milhares de crianças carentes, que ficarão um turno do dia jogadas nas ruas, mas não se aplica em estancar esse ralo de dinheiro público que representa nosso sistema prisional? Onde estão o Ministério Público, os nossos deputados, os serviços de inteligência das polícias, que não se movimentam para amenizar as deformações desse desserviço público, cujo desleixo agrava ainda mais as fragilidades do nosso tecido social?

Ninguém se assusta mais com esses números, ou seja, quase R$ 4 bilhões anualmente jogados no esgoto para se manterem reclusos 75 mil presos que poderiam ter algum trabalho pelo menos para pagar sua própria comida. Como nada fazem, estes se tornam a cada dia mais perigosos e irrecuperáveis, um descaso que realimenta fábricas de criminosos, a serviço do narcotráfico e do crime organizado.

É esse o Estado que queremos?

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