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Paulo César de Oliveira

A reforma é necessária

PUBLICADO EM 07/05/19 - 03h00

Que me desculpem os incrédulos e os mal-intencionados, mas não dá mais para o país segurar. A reforma da Previdência, que o governo ousou propor – sim, o termo é “ousou”, não pode mais ser adiada. A que está sendo discutida agora, no Congresso, ainda não é a ideal, mas é a possível, suficiente para que o país ganhe tempo para se reestruturar economicamente e repensar um modelo de Previdência que desafogue um pouco quem o sustenta e alivie um pouco o Tesouro. Hoje, 52% das despesas da União estão comprometidas com aposentadorias para atender ativos e inativos, o que representa dez vezes mais o que se destina à educação e seis vezes mais o que se emprega na saúde. Há que se considerar que, além de astronômicos, os gastos com aposentadorias são injustos. Uma minoria tem rendimentos altos, enquanto a grande maioria recebe salários que, reconheçamos, mal garantem seu sustento numa fase da vida na qual as despesas são potencializadas.

Essa realidade transforma a reforma da Previdência numa questão não apenas econômica, mas social. Ela vai corrigir distorções, embora num patamar ainda pequeno e num prazo ainda longo, bem maior do que o desejável. Realizar a reforma não é, portanto, uma questão ideológica ou, como bradam os discursos, uma forma de beneficiar as elites. É uma questão de aritmética. Nem mesmo de matemática. O que é arrecadado não paga o que é gasto. Aí, falta dinheiro para tudo o mais. Corrupção? Ah, sim, ela existe. Mas não se pode atribuir a ela o déficit da Previdência. Ela até ajuda, mas não no nível que os demagogos usam como argumento para serem contra as mudanças.

Essa reforma, ressalte-se, não é uma necessidade de agora. O déficit é antigo e progressivo. Tão antigo que, aqui e ali, alguns governos tentaram fazer reformas. Mas foram até o limite de sua coragem ou covardia, sem enfrentar os privilégios e os privilegiados. A hora de mudar é agora. A reforma da Previdência, acredito, vai mudar o país. Se tão necessária, por que, então, a proposta do ministro Paulo Guedes encontra tanta resistência? Aí há que se reconhecer que o governo errou. Não cuidou de “seus clientes”, de explicar com clareza a doença existente e o remédio e sua dosagem para a cura. Dizer apenas que as mudanças vão permitir uma economia de R$ 1,2 trilhão em dez anos, e que isso assegurará investimentos em áreas vitais para a economia, é pouco para convencer quem tem medo do hoje e do amanhã quando muito.

Querer o compromisso dos parlamentares com a aprovação da reforma é querer muito, quando os eleitores, aqueles que os colocaram nos parlamentos, têm medo. O governo precisa conversar. Ir até a toca do leão, tratando direto com o povo por meio das organizações sociais, explicando detalhes da reforma, mostrando que ela é indispensável – e ela é mesmo indispensável – desmistificando os argumentos dos demagogos e irresponsáveis com a verdade dos números. Será preciso ser parceiro dos parlamentares para que eles sejam parceiros do nosso futuro.

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