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Paulo César de Oliveira

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PUBLICADO EM 12/03/19 - 03h00

O ministro Paulo Guedes, da Economia, o “Posto Ipiranga” do presidente Bolsonaro, está cheio de projetos e de vontade de mudar o país. Quer sair do discurso e ir para a ação. Em alguns casos, seu desejo é acelerar as mudanças, embora compreenda que o timing político é diferente do econômico e que respeitá-lo é fundamental para que se consiga aprovar as mudanças que considera necessárias ao Brasil.

Guedes, em entrevista ao “Estadão”, deu mostras de que pretende mesmo fazer um país diferente. E até surpreendeu muita gente ao revelar que tem projetos já elaborados – ao contrário do que se pensava – e que foram desenvolvidos antes mesmo do resultado das eleições. Projetos que darão ao país uma nova feição, uma nova dinâmica.

Guedes é otimista. Confesso que o ministro me entusiasmou com suas ideias, mas confesso também que temo pela nossa incapacidade de levá-las adiante. Especialmente o ousado projeto de entregar à responsabilidade dos políticos a total elaboração dos orçamentos em todos os níveis de poder, acabando com as vinculações. Mas vou mais adiante, nossos políticos estão preparados para assumir o protagonismo de elaborar com total liberdade os Orçamentos federal, estaduais e municipais?

O novo Pacto Federativo, que tem defesa firme e convicta de Guedes – que fundamenta com transparência sua necessidade –, esbarra, com certeza, no despreparo de nossos políticos e na eterna mania de nossos eleitores de levar vantagem em tudo. Governar, alguém já disse, é saber definir prioridades. E elas têm que ser bem definidas na formulação dos Orçamentos. E, para se elaborar um bom orçamento, é preciso, antes de tudo, que, ao assumirem esse protagonismo, nossos políticos abandonem qualquer tentação populista.

O ministro está tendo a coragem de propor esse pacto, assim como demonstra firmeza de convicção ao dizer que, por ele, faria imediatamente uma privatização geral, passando para particulares desde a Petrobras até imóveis sem uso da União. É a partir da reforma da Previdência, de privatizações e outras medidas que ele acredita que será viável colocar o país nos trilhos do crescimento e promover o que chama de “choque” de emprego, por meio da redução e simplificação de impostos.

Sem o odor do oportunismo e do populismo, os planos, projetos e convicções de Guedes são hoje, não duvidem, o único caminho para a recuperação do país. Tomara que tenhamos juízo para trilhá-lo. Mas de nada adiantará a disposição do ministro, que tem recebido todo apoio do presidente, se governadores, prefeitos, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais não assumirem seus papéis de agentes de uma mudança radical no país.

Mudança que não pode ser apenas na economia. Um novo país exige muito mais. Exige mudança de comportamento de toda a sociedade, que precisa ser mais participativa, mais atenta com o que acontece no mundo político. Sem um novo cidadão, vamos continuar sem um novo político. Sem um novo político, não teremos uma nova política. Sem uma nova política, não teremos um novo país.

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