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Paulo César de Oliveira

Bolsonaro acerta com Moro

PUBLICADO EM 06/11/18 - 04h00

O presidente eleito Jair Bolsonaro – em que pese todas as críticas – acertou em cheio na escolha do juiz Sergio Moro para o Ministério da Justiça. Engana-se quem acha que a operação Lava Jato sofrerá com a ida de Moro para o ministério. Na conversa que Bolsonaro teve com o futuro ministro, determinou que Moro continue de olho na Lava Jato, pois ela é o símbolo do combate à corrupção, uma das mais importantes bandeiras de campanha do presidente eleito. Ele deixou claro que não vai abrir mão de combater a corrupção, mesmo sabendo que é difícil, senão impossível, acabar com ela, que, lamentavelmente, é inerente ao Poder. Mas continuar com os níveis que atingiu no país é inadmissível para o novo governo.

Uma coisa é certa: Bolsonaro sabe, conhece, tem informações e compromissos políticos para cobrar de seus auxiliares. Sabe que a oposição vai bater firme nesse campo, alguns até por dominarem bem o assunto – conhecem de perto os parlamentares oposicionistas e como tratá-los.

Bolsonaro sabe ainda como foi bem recebido em vários setores que querem acabar com o desemprego que se instalou no país. São cerca de 13 milhões de desempregados e perto de 11 milhões de subempregados. Para isto, o governo terá que investir muito em infraestrutura e restabelecer a confiança do empresário, cansado de corrupção.

O novo governo está se preparando para alavancar a retomada do desenvolvimento, e o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, um liberal de quatro costados, já tem um plano econômico para implantar a partir de 1º de janeiro. O setor produtivo vai apoiar o governo Bolsonaro, pois já sentiu que o presidente eleito está com vontade política de acertar.

Em programa no sábado na Globo News, o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim procurou tirar do futuro governo o rótulo de autoritário e pouco afeito ao diálogo, por ser Jair Bolsonaro um oficial da reserva. Jobim fez ver que não há problema algum no fato de o país ser comandado por um oficial da reserva e o governo ter outros militares em cargos-chave. Para ele, o militar sabe agir como civil quando necessário.

Esta será uma semana importante para o novo presidente. Até aqui, salvo alguns percalços provocados por assessores afoitos, que o obrigaram a fazer desmentidos, Bolsonaro vai conseguindo imprimir um ritmo intenso na arrumação de seu governo, demonstrando capacidade política. Vai também, curiosamente aumentar sua base de apoio na sociedade, mesmo não tendo apresentado absolutamente nada de concreto quanto aos rumos de seu governo. Até aqui, o que se sabe do governo é que ele ainda não tem um norte definido. Muito do que foi dito na campanha já ficou para trás, sem que se conseguisse colocar propostas concretas e viáveis diante da realidade do país. A partir de amanhã, a equipe de Bolsonaro conhecerá, por meio de dados oficiais, o caos real das finanças públicas. A partir daí, então, saberá o que é possível fazer e o que foi apenas promessa de palanque.

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