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Paulo César de Oliveira

Confronto que preocupa

Planalto
Foto: CHARLES SHOLL / ESTADÃO CONTEÚDO – 5.6.2015
PUBLICADO EM 09/04/19 - 03h00

Há um indisfarçável clima de confronto, pesado mesmo, na política brasileira. Disputas ideológicas, ou até mesmo de interesses pouco republicanos, são compreensíveis. Mas ultrapassamos esse limite e atingimos o campo do confronto. Quando essa proposta de briga vem da oposição, não é tão preocupante. Quando, no entanto, vem dos governos, especialmente daqueles que têm estrelas nos ombros, é assustador. E essas reações vão ficando, amiúde, com cheiro de ameaça. Ou não foi isso que fez o poderoso Paulo Guedes, ao perguntar aos deputados, na CCJC, por que não faziam a reforma da Previdência dos militares? “Têm medo?”, perguntou, como a avisar que haveria reações, que ele parece conhecer, tanto que suavizou sua proposta.

Ainda mais explícito foi o general Luiz Eduardo Rocha Paiva, na revista do Clube Militar. Do nada, ele fez o alerta de que o sangue pode correr pelas ruas: “A nação tem que se salvar a si mesma, sem a tutela das Forças Armadas, que só tomarão a iniciativa diante de um quadro de grave violência, caos social, falência e perda de autoridade dos Poderes constitucionais. Não querem que o sangue corra pelas ruas? Então, mãos à obra”.

Declarações assim, dadas do nada, eram especialidade de um deputado da Arena, o esperto Zezinho Bonifácio, que atirava bombas assustadoras, às vezes no meio de uma entrevista. Depois se soube, revelado por ele mesmo, que, ao contrário do que se imaginava, ele não estava a serviço dos que queriam endurecer o regime militar. Ao contrário, suas declarações, feitas de comum acordo com os mais moderados, visavam exatamente conter os brucutus do regime. Ao falar, avisava que algo estava sendo tramado pelos “pit-bulls” e jogava água na fogueira dos radicais.

Estaria o general fazendo o mesmo? De qualquer forma, é preciso ficar atento, pois, advertia Thomas Jefferson, “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Afinal, o que começou parecendo ser arroubos de quem vive a fase da juventude um pouco atrasada vai se tornando muito comum. Protegidos pelas redes sociais, ficam valentes.

Esse tipo de comportamento agressivo e provocador coloca em risco não apenas a democracia, o que, convenhamos, já é muito. Engessa um governo que se propôs na campanha, sem apresentar nenhuma proposta concreta, ser o novo, fazer diferente para recuperar o país destroçado por quatro mandatos petistas. A reforma da Previdência, de necessária, passou a ser negociável em alguns pontos. Vejam como anda a educação, que vai retrocedendo, numa discussão imbecil sobre nossa história e sobre o Enem, como se o exame que peneira os mais adestrados fosse nosso único problema. Vejam nossa política externa, na qual o polêmico ministro abre uma discussão, seguido do presidente, sobre o nazismo, que, para eles, foi um movimento de esquerda.

Polêmicas, especialmente as que envolvem a discussão sobre o sexo dos anjos, não podem ser atribuídas a meros polemistas. Podem também ser cortina de fumaça que levem ao caos. E o caos, para ser corrigido, pede rigor. Daí que... Paranoia? É, pode ser. Tomara!

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