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Paulo César de Oliveira

Doria dá o exemplo

PUBLICADO EM 05/03/19 - 03h00

Pode ser, e deve mesmo ser, o caminho para o ajuste de nossas contas e, a partir daí, a retomada do desenvolvimento, mas o discurso monocórdio do corte de despesas já começa a preocupar.

O país parece não ter, e com certeza não tem mesmo, um projeto de desenvolvimento. Governo federal e governos estaduais ficam a repetir que precisam cortar despesas, esquecendo-se de que são duas as vertentes do ajuste: o corte das despesas e o aumento da receita.

Dizem que, aprovada a reforma da Previdência, e outras, como a da segurança, o governo será obrigado a distribuir guarda-chuvas para o povo, tal a tempestade de dólares que cairá sobre o país. Há, no discurso dos governantes, investidores na sala de embarque dos aeroportos de vários países, esperando, ansiosamente, a hora de trazer seu dinheiro para o país. Mas para investir em quê? Qual projeto de crescimento o país tem? Nenhum. Aliás, tem, sim, o de privatizações. Mas, a partir da transferência do controle para a iniciativa privada, o que acontecerá na economia? Aonde se quer chegar?

Ótimo, vamos melhorar nossa produção com investimentos, mas escoar essa produção por onde? E a mão de obra, vamos qualificar como? Será cantando o hino nacional todos os dias? O tempo vai passando, e nada acontece. Há uma inércia irritante. É como se nossos governantes tivessem ganhado um presente eletrônico e não soubessem ligá-lo. Estão com o governo nas mãos e não sabem o que fazer. São, repito o que já disse neste espaço, como cachorros que correm atrás de carros, latindo. O carro para, e eles ficam sem saber o que fazer com os pneus.

Isso é que dá ser apenas o candidato do contra. A registrar apenas uma exceção. O governador de São Paulo, João Doria, é, até aqui, o único a tirar o traseiro da cadeira e ir atrás dos investimentos. Participou de Davos e agora trabalha para encontrar um comprador para a fábrica que a Ford está desativando em seu Estado. Procura um investidor. Alguém que queira produzir. Simples assim.

Enquanto Doria se mexe, em Minas há o triste espetáculo da inércia. Por aqui, anunciamos com estardalhaço cortes em cafezinho, papel higiênico, vale-transporte e vale-refeição de servidores que ganham salários miseráveis e, assim mesmo, atrasados. Vamos, com medidas que beiram a mesquinhez, reduzindo nossas chances de retomar o desenvolvimento. Os números de nossa economia mostram que estamos muito distantes de uma aceleração econômica. Ao contrário, o receio é que haja retrocesso. A perspectiva de que, em nome da proteção do bem maior, a vida, sejamos obrigados a fechar atividades mineradoras no Estado, liga o alerta sobre a possibilidade de estarmos seguindo o caminho errado. Mais ou menos como aquele fazendeiro do Triângulo que resolveu economizar e, para isso, cortou o capim de seu cavalo. Quando o animal estava se acostumando a ficar sem comer, para alegria do fazendeiro, ele morreu de fome. Cuidado que as histórias da vida sempre se repetem.

 

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