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Paulo César de Oliveira

O Rio não continua lindo

PUBLICADO EM 04/12/18 - 03h00

Quem não se lembra do single “Aquele Abraço”, música e letra de Gilberto Gil, composto pouco antes de seu exílio, que o Brasil inteiro cantou por muito tempo e que dizia “O Rio de Janeiro continua lindo/ O Rio de Janeiro continua sendo/ O Rio de Janeiro, fevereiro e março/ Alô, alô, Realengo/ Aquele abraço!”

Ela já não pode mais ser cantada assim. A natureza por lá continua maravilhosa, mas a política ficou fétida, principalmente depois que Sergio Cabral e sua turma saquearam o Rio de uma forma comparável ao que seu líder da época fez com o Brasil.

Claro que a corrupção não nasceu no governo Cabral. Muito antes dele, Moreira Franco, governador, fora acusado de um desvio de R$ 100 milhões, um escândalo que ficou parecendo coisa de “trombadinha”. O casal Garotinho e Rosinha também aprontou, e ele chegou até a ser candidato a presidente. Cabral também foi lembrado, mas não chegou a ousar.

Dos últimos governadores fluminenses, faltava Pezão, que agora foi fazer companhia a seu padrinho. Há dois meses, no conforto do palácio, dizia que não sabia como iria fazer ao deixar o governo. Certamente, teria que procurar emprego para sobreviver.

Sabe-se hoje, como resultado das operações anticorrupção, que a realidade financeira e moral de Pezão é outra. Como os outros, está milionário e lambuzado na corrupção. Agora, no novo tempo de Bolsonaro – que durante a campanha teve sua vida vasculhada, e nada foi encontrado –, a promessa é acabar com essa corrupção endêmica e colocar ordem na casa.

Promessas de outros, que acabaram chafurdando na lama. Lembram-se do regime militar? Lembram-se da Nova República ? A esperança agora é Bolsonaro. Os brasileiros que votaram nele, e também os que não votaram, torcem para que o combate ao assalto aos cofres públicos, por meio de atos muitas vezes legais, mas imorais, seja efetivo, e não apenas discurso de palanque. Os que torcem pelo sucesso do governo nessa missão não pensam ideologicamente. Apenas querem a volta do crescimento do país. O que só será possível com a moralização do Estado.

Mas torcer apenas não será suficiente. A corrupção faz parte de nossa cultura. Aqui, muitos consideram a safadeza política como esperteza. E, sem saber, acabam virando sócios delas, quando escolhem nas urnas quem lhes possa trazer benefícios pessoais, sem pensar que a política é para ser exercida em prol do bem coletivo.

Quantos desses tipos de políticos, travestidos de novo, estarão em nossas Casas legislativas a partir do ano que vem? Alguns já conhecemos. Raposas antigas, aliadas a raposas novatas, podem colocar em risco o projeto de controle da corrupção. Controle, sim, pois ninguém é ingênuo ao ponto de acreditar que vamos acabar com ela. O mundo não conseguiu, e não seremos nós, com nosso passado pouco recomendável, que conseguiremos. Para controlar, não adianta torcer. É preciso participar e cobrar com veemência.

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