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Paulo Paiva

Está acessa a luz vermelha

PUBLICADO EM 31/05/19 - 03h00

O que já era expectativa tornou-se realidade. A economia brasileira voltou a encolher no primeiro trimestre deste ano em comparação com o último do ano passado. Os dados do IBGE mostram que, nos primeiros três meses do ano, o PIB caiu 0,2% em relação ao quarto trimestre de 2018. É a primeira queda desde o quarto trimestre de 2016. Depois de dois anos de recuperação, mesmo que lenta, o barco volta a querer afundar. Se a queda persistir no segundo trimestre, a economia retorna tecnicamente para a recessão.

Do lado da oferta, a queda foi generalizada, ressaltando-se as reduções expressivas da indústria extrativa (-6,3%), resultado da queda na extração de materiais ferrosos; da construção (-2,0%); do setor de transportes, armazenamento e correio (-0,6%); e da indústria de transformação (-0,5%).

Do lado da demanda, apenas o consumo das famílias (0,3%) e o do governo (0,4%) aumentaram. O saldo da balança comercial reduziu-se, em função das importações (+0,5%) e, principalmente, das exportações, que diminuíram (-1,9%); e a formação bruta de capital continuou caindo (-1,9%).

No acumulado de 12 meses comparado com os 12 meses anteriores, o crescimento foi de 0,9%. Desde o segundo trimestre de 2016, quando a economia chegou ao fundo do poço com queda de 4,5%, o PIB não caiu mais. Sua recuperação chegou ao seu nível anualizado mais alto (1,4%), no terceiro trimestre de 2018. A partir de então está novamente perdendo fôlego.

As expectativas positivas em relação às mudanças de governo e à aprovação das reformas, que motivaram a estimativa de crescimento de 2,5% no PIB neste ano, foram se dissipando rapidamente. Já caindo por 13 semanas consecutivas, a última estimativa do relatório Focus mostra que o mercado espera agora crescimento de 1,23% para este ano.

As possibilidades de recuperação são mínimas, nas condições atuais. Do lado da demanda, o consumo das famílias está limitado pelo alto nível de desemprego, endividamento das famílias e elevado custo do crédito; o consumo do governo, limitado pelo desequilíbrio fiscal; e as exportações sofrem com a desaceleração da economia mundial.

Resta a retomada dos investimentos. O baixo nível da formação bruta de capital (15,5%) impede o crescimento, mas é a única oportunidade factível. Se avançarem o programa de reformas, a agenda de melhoria da produtividade e a abertura comercial, talvez 2020 seja melhor.

Se nada for feito, as alternativas são a estagnação ou a depressão, como já alertou o professor Affonso Pastore.

Espera-se que o Pacto de Brasília entre os Poderes possa garantir a governabilidade e estimular alianças entre os setores público e privado para a execução de um programa de reformas e políticas públicas eficazes e para reconquistar a confiança, tudo visando promover o crescimento mais rápido e inclusivo.

A gravidade desta hora exige espíritos desarmados e união de todos, antes que seja tarde.

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