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Paulo Paiva

Louvor à superação e à determinação

PUBLICADO EM 03/05/19 - 03h00

Hoje eu não vou tratar de economia e de política, dos seus desafios e de seus desencantos. Volto meu olhar para Minas Gerais, não para chorar nossas mazelas, como tenho feito tanto, mas para louvar o que tem de ser louvado, como já cantou Gilberto Gil.

Depois de 17 temporadas, o Minas Tênis Clube reconquistou a Superliga feminina de vôlei.

Voleibol é um esporte coletivo por excelência, que exige muita técnica individual, disciplina tática e equilíbrio emocional. Preparação física apurada e concentração mental são condições necessárias para o desenvolvimento coletivo. A individualidade só desponta se houver coordenação coletiva e desempenho tático. Pelas alternâncias inevitáveis ao longo das partidas, as decisões podem ser dramáticas, como foram as finais em Belo Horizonte e Uberlândia.

Carol Gattaz, paulista, de 1,92m de altura, com 37 anos, é a face do Minas, símbolo de determinação e de superação. Depois de tantas conquistas na sua vitoriosa carreira, acumulando na seleção brasileira cinco troféus do Grand Prix e duas Copas dos Campeões, Carol atingiu no Minas o ápice de sua maturidade como atleta, no esplendor de sua técnica e de sua energia.

É a perfeita central. Mortal é seu ataque que se inicia em um passo de balé, quando Carol flutua elegante como um cisne por trás da levantadora Macris e sobe como um pássaro para sentir a força de sua bomba explodir no chão da quadra adversária. Eficiente é sua defesa, quando se aproxima da ponteira, de um lado, ou da oposta, de outro, para formar uma barreira intransponível protegendo sua quadra.

A mão que bate é a mesma mão que afaga. Sua liderança e sua solidariedade foram registradas pelas câmeras na última partida. A jovem levantadora Bruninha havia substituído Macris no segundo set, e o Minas, que já perdera o primeiro, caminhava para perder mais um. Em lance infeliz, Bruninha cometeu um erro primário, sendo retirada imediatamente pelo treinador. Terminado o set, com vitória do Minas, as jogadoras em quadra se juntaram para celebrar a sofrida virada. Carol correu para o banco de reservas, abraçou Bruninha e a levou para comemorar junto às suas colegas. Essa sua atitude foi determinante para motivar a equipe do Minas.

No terceiro set, Carol caiu em quadra com cãibras nas duas pernas. Saiu do jogo. Perda fatal. Ainda sem condições totais, voltou no final do quarto set. Foi possível vê-la com dificuldades tentando inutilmente recuperar uma bola no fundo da quadra.

Eis, então, que Carol surgiu da sua dor, subiu à improvável altura muito além da rede para barrar a bola final e oferecer ao Minas o troféu da Superliga.

Enfim, estendida na quadra, onde atingiu seus objetivos, rompeu preconceitos e encontrou seu amor, Carol Gattaz louvou suas conquistas coletivas e pessoais soltando seu brado de vitória e liberdade.

Parabéns, Carol Gattaz do Minas. Carol Gattaz de Minas.

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