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Paulo Paiva

O destino do Brasil é a América Latina?

PUBLICADO EM 07/06/19 - 03h00

Acompanhando as expectativas sobre a economia, deparamos-nos com dois cenários. Um deles afirma que, se aprovada a reforma da Previdência, como propõe Paulo Guedes, a porta se abrirá aos investimentos e o Brasil entrará em um círculo virtuoso de crescimento acima de 3,5% ao ano. Simples assim. O outro, de olho no comportamento da economia real, prevê o risco de extensão da estagnação por um tempo maior, mesmo com a reforma aprovada. Triste assim.

Essas previsões focam o curto prazo e não levam em consideração tendências mais longas nem, tampouco, avaliam o determinismo geográfico sobre o desempenho do Brasil.

Nos últimos 40 anos a economia brasileira cresceu, em média, apenas 2,7% ao ano, estimulada pelo aumento populacional e pela acumulação de capital, porque, estagnada, a produtividade não deu sua contribuição.

Na sua edição de 30 de maio, a revista “The Economist” chama a atenção para o baixo crescimento das três maiores economias da América Latina, Brasil, México e Argentina, que vêm se retraindo neste ano, e para o fraco crescimento das outras. E pergunta: por que a região está ficando para trás, enquanto as outras economias emergentes de fora dela estão em expansão?

O fraco desempenho relativo da América Latina aparece em estudo, já mencionado nesta coluna, realizado pelo McKinsey Global Institute com 71 economias emergentes nos últimos 50 anos, revelando que 18 países atingiram crescimento rápido e sustentado, sendo sete com aumento anual da renda per capita de 3,5%, ao longo das cinco décadas, e 11 com 5,0%, nos últimos 20 anos. Nenhum país latino-americano está incluído nesse grupo, constituído predominantemente por asiáticos e por repúblicas da extinta União Soviética.

Os países latino-americanos ficaram todos no grupo dos medianos, com crescimento modesto no último meio século. O Brasil, pior ainda, ficou no subgrupo das economias voláteis. O fiasco da região não é explicado pela geografia física, mas pela formação de suas instituições, como demonstraram os professores Daron Acemoglu e James Robinson no livro “Por que as Nações Fracassam”. Na América Latina, as instituições são extrativas, favorecendo a concentração da riqueza e a formação de sócios do poder que inibem a competição e a geração de oportunidades para todos. Não prosperam empresas médias e a classe média, mas a pobreza e a desigualdade aumentam.

Para romper essas amarras, o Brasil deve fazer uma profunda reforma do Estado. Como recomenda a revista “The Economist”, a esquerda precisa entender que a disciplina fiscal e a abertura comercial são vitais para o crescimento sustentável da renda, e a direita, que monopólio, cartéis e privilégios emperram a economia e que os trabalhadores deveriam participar dos ganhos de produtividade.

Para mudar seu destino, a opção do Brasil é uma só: uma aliança de todos para desprivatizar o Estado e promover o desenvolvimento inclusivo e sustentável.

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