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Paulo Paiva

O peso real da inconsequência

PUBLICADO EM 14/06/19 - 03h00

Em época de enxurradas de informações, de veiculação de notícias fundadas ou falsas, de opiniões transvestidas em fatos e de discussões mal-informadas sobre questões complexas, os debates ficam exageradamente superficiais, e as pessoas comuns, confusas.

O mercado nos faz acreditar que a chave da retomada do crescimento é a aprovação da reforma da Previdência. Aberta a porta no Congresso Nacional, os investimentos imediatamente inundarão o país e a euforia chegará à economia. No entanto, esse mesmo mercado, segundo as estimativas do Relatório Focus publicadas pelo Banco Central, prevê crescimento de apenas 1,0% neste ano. No começo de janeiro havia previsto 2,5%, mas sua estimativa vem caindo consecutivamente nas últimas 15 semanas.

Para os próximos três anos, as estimativas do relatório Focus são também cautelosas. Já reduziu para 2,3% o crescimento em 2020 e o mantém estável em 2,5% nos dois anos seguintes.

A rejeição da reforma da Previdência, cenário impensável, abalará a confiança que ainda resta na gestão da economia. Sua aprovação é necessária, mas não será por si só suficiente para garantir a trajetória sustentada do crescimento.

Há tempos a economia brasileira está andando devagar. De 1980 a 2017, a renda per capita cresceu apenas 0,7% ao ano, enquanto nas outras economias emergentes cresceu 3,0% e, nos países desenvolvidos, 1,7%.

O ranking da competitividade mundial da escola de negócios IMD, da Suíça, para este ano, publicado no final de maio, no que se refere às informações sobre o Brasil, realizado em parceria com a Fundação Dom Cabral, mostra que o nosso país está na 59ª posição, entre as 63 economias pesquisadas. Subiu um degrau em relação ao ano passado. Subiu, não. Foi a Argentina que caiu cinco posições, juntando-se a Croácia, Mongólia e Venezuela, como os únicos países piores em competitividade do que o Brasil. Logo acima, na 58ª posição, está a Grécia. Vamos combinar, não há nada a comemorar.

Nos quatro pilares em que está organizado o ranking – desempenho da economia, eficiência do governo, eficiência dos negócios e infraestrutura –, a ineficiência do governo continua sendo o principal fator a reduzir a competitividade da economia brasileira. Lamentavelmente, o Brasil ocupa o último lugar, entre todos os 63 países, no custo do crédito, na falta de habilidade na linguagem e na ausência do ensino de ciências nas escolas. Com alta carga tributária, desequilíbrio fiscal, déficit em infraestrutura e baixa taxa de investimentos, o pilar eficiência do governo está congelado no penúltimo lugar desde 2017, atravancando a economia.

Se continuar propalando ideias inúteis e não enfrentar o desafio, este, sim, real, de fazer uma ampla reforma do Estado para torná-lo eficiente, o peso real da inconsequência do governo poderá levar o país, em breve, à depressão econômica.

O momento é grave, e a recuperação da economia não é simples.

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