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Golpe na cultura

Publicado em Wed Jun 13 03:00:00 BRT 2018

Golpe na cultura

É incomum um ministro vir a público para criticar duramente uma medida do próprio governo. Pois é o que fez o titular da Cultura, Sergio Sá Leitão, inconformado com a MP do Fundo Nacional de Segurança Pública, o Susp, cuja criação está prejudicando outro fundo, o da área cultural. “Trata-se de um imperativo ético”, disse o ministro ao justificar a sua oposição à medida e anunciar que irá “trabalhar incansavelmente” para modificá-la no Congresso. A reação dá uma ideia da monstruosidade gerada no Planalto.

Opção política

No fundo do poço de sua impopularidade, Temer decidiu explorar o clima de insegurança no país com mais uma ação espetaculosa após a intervenção militar no Rio – aliás, inócua. E para tanto esvaziou o Fundo Nacional de Cultura, cuja parte na receita lotérica cai de 3% para 1% e 0,5%. Talvez esse fundo não pareça importante para muita gente e a cultura possa viver sem ele. Mas não é essa questão. Não se trata só do dinheiro. Trata-se da escala de prioridades do governo, tão equivocada e injusta no caso da MP do Susp que passa a ser antiética, como lembrou bem Sérgio Sá.

Visão obscura

Tirar verba da cultura para financiar mais um plano ineficaz na segurança é mais que desperdício de recursos. É retrocesso, obscurantismo, atraso. Se a turma no Planalto estivesse ligada no século atual, saberia que a cultura nunca foi tão importante como agora, transformada em vetor essencial do desenvolvimento humano e econômico; entenderia que o investimento na cultura, por seu elevado potencial de geração de renda e inclusão social, é uma arma poderosa no combate à violência, mais eficaz certamente que o mero aumento do aparato de repressão policial pretendido com o Susp.

Base da modernidade

Segundo o Minc, as atividades culturais e criativas representam 2,64% do PIB. São 200 mil empresas/instituições, que geram 1 milhão de empregos. O setor já não é pequeno (pouco menor que o PIB mineral de 4%). E cresce explosivamente no país: 9,1% na média entre 2012 e 2016, muito acima de outros setores e até de ramos do agronegócio. Para além de seu significado mais difundido de um conjunto dos valores, artes e costumes de um povo, a cultura é base de um dos mais promissores mercados no mundo moderno.

Nem tudo é ruim

Há um lado bom na disparada do dólar: as nossas exportações rendem mais dinheiro. Minas Gerais sente isso no recolhimento da Cfem, o royalty dos minérios, que subiu 36,7% neste ano até maio em comparação a 2017. A cifra apurada em quatro meses foi de R$ 461 milhões, um alento para os cofres do governo estadual, que recebeu R$ 129,8 milhões; o restante do bolo foi dividido entre os municípios mineradores.

Vai bem, obrigado

No momento a mineração não tem do que se queixar do seu mercado. Os ventos só sopram a favor. Basta ver a evolução das ações da Vale, que subiram mais de 80% entre julho e maio e seguem se valorizando apesar da turbulência nas bolsas. Os preços do minério de ferro e das commodities em geral começaram bem o ano, sustentados pela demanda em alta no mundo em crescimento. Agora, no mês passado, ganharam o reforço da alta forte do dólar, que eleva os valores em reais das exportações nacionais.

FOTO: Anna Castelo Branco/Rede Fotonovela/divulgação

Luiz Cláudio Chaves e Ana Maria Diniz Braga

Seca histórica

O sentimento nos meios publicitários mineiros é de desânimo e prostração. As agências estão sem perspectivas: o mercado privado parou de investir em publicidade, e o setor público não poderá contratar durante a campanha eleitoral. Para piorar, os débitos do governo estadual com as empresas se acumulam. Os próximos meses de anunciam de seca histórica no setor.

Protesto da copa

Muita gente afirma que vai ignorar os jogos do Brasil ou torcer contra a seleção; vestir a camisa canarinho, nem pensar. De modo espontâneo e sem combinação, essas pessoas estão assumindo uma atitude de rejeição à Copa que expressa um protesto pessoal e voluntário, seja pela corrupção dos cartolas, soberba dos jogadores, vergonha do país ou outra razão. Motivos não faltam. Resta ver se a raiva do torcedor indignado resistirá à primeira vitória de Tite e sua equipe.

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