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Ricardo Corrêa

Que respeitem a democracia!

PUBLICADO EM 27/10/18 - 03h00

Os brasileiros vão às urnas neste domingo para decidir os rumos do país nos próximos anos sob a sombra da intolerância e da ameaça às instituições democráticas. É preciso, seja quem for o vencedor, que os brasileiros, no dia seguinte, unam-se ao menos na defesa dos ideais de proteção ao que conquistamos a tão duras penas. É preciso, para tanto, que o perdedor aceite o resultado e que o vencedor tenha real noção de que o poder a lhe ser concedido tem limites.

Todas as pesquisas indicam que Jair Bolsonaro (PSL) deve vencer, ainda que Fernando Haddad (PT) tenha mostrado algum sinal de reação nos levantamentos desta semana. Porém, os números mostram, também, que qualquer um deles que conquistar a Presidência da República dificilmente terá o voto de mais da metade dos eleitores brasileiros.

Parece estranho, mas é um fato. Considerando-se abstenções, brancos, nulos e votos nos opositores, o percentual de brasileiros que não vão depositar confiança no vencedor tende a representar a maior parcela da população. O eleito, portanto, precisará ter em mente que, embora tenha a obrigação de governar para todos, não foi escolhido pela maioria.

Isso tem um efeito simbólico, mas ajuda o vencedor a entender que não pode tudo. Até aqui, falas de um lado e de outro mostraram que isso, embora óbvio, não está tão claro na cabeça daqueles que provavelmente estarão no comando do país a partir de janeiro.

É preciso repudiar qualquer insinuação sobre o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF), tal como feito pelo filho do virtual eleito, ou mesmo uma mudança em sua composição, de modo a conseguir uma falsa maioria. Quem fez isso em outros países é tachado, com razão, como ditador. Caso, por exemplo, de Nicolás Maduro, na Venezuela.

Também é preciso repudiar qualquer tentativa de perseguição aos adversários ou à imprensa livre. Neste último caso, os dois lados já fizeram acenos de que só aceitam aquilo que é favorável a eles.
Dar espaço e voz às minorias, não atropelá-las nem dizimá-las é um dever de qualquer presidente, e nenhum percentual de votos legitima qualquer atitude em contrário. Ditadura da maioria, seja de esquerda ou de direita, é intolerável.

Dito isso, é preciso que as pessoas se preparem para a decepção. Tal como aconteceu com Dilma Rousseff (PT) nas últimas eleições, que governou com um plano completamente diferente daquele que colocou em debate na campanha eleitoral, temo que rapidamente muitos vão se frustrar com seu escolhido. E isso tem uma razão simples: a eleição foi absolutamente calcada em ideologia e pobre em propostas concretas, sinceras e, acima de tudo, conectadas ao momento que o país vive.

Pago para ver, por exemplo, se algum dos dois candidatos vai mesmo alterar a tabela do Imposto de Renda, ampliando a isenção para os mais pobres – como prometem Haddad e Bolsonaro – e reduzindo a alíquota para os mais ricos – como defende o candidato do PSL. Também tenho dúvidas de quanto tempo resistirá a proposta de manter indicados alinhados com deputados fora da Esplanada dos Ministérios. Temo, sinceramente, que a parcela dos que rejeitarão o futuro governo cresça exponencialmente em poucos meses, tornando qualquer sucesso improvável. Espero estar errado.

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