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Ricardo Corrêa

Rivais ajudam Bolsonaro

PUBLICADO EM 09/06/18 - 03h00

O chamado “ mercado” tem a péssima mania de errar o vencedor de eleições disputa após disputa. Tanto é assim que, até outro dia mesmo, ainda acreditava na vitória de um candidato identificado com a política do governo atual, o que, entre os analistas políticos, já é considerado improvável há meses. Agora, relatam os bastidores vindos de São Paulo, capital financeira do país, passam a apostar em Jair Bolsonaro (PSL), que até pouco tempo atrás era tido com um azarão.

Há grande chance de o mercado errar outra vez, mas os adversários do polêmico deputado federal têm feito o possível para que ele de fato saia vitorioso da disputa eleitoral de 2018. Com estratégias equivocadas, tucanos, petistas e partidos do chamado “centrão” vão batendo cabeça enquanto Bolsonaro reina soberano nas pesquisas de intenção de voto.

Até aqui, só quem atrapalhou os planos do deputado do PSL foi ele próprio. Sem ter muito o que falar sobre os reais problemas do país, ele gasta seu tempo com declarações enviesadas sobre o período ditatorial, frases preconceituosas e debate sobre moral e bons costumes que pouco auxiliam a busca por uma saída para o buraco em que o país se meteu. Seu argumento sobre a necessidade da renovação na política esbarra no fato de ser um político com sete mandatos e 27 anos na Câmara dos Deputados.

Até mesmo o discurso contra a corrupção parece ser raso para alguém que por tanto tempo ingressou no PP justamente no ano em que estourava o escândalo do mensalão, do qual integrantes da cúpula do partido participaram ativamente. Por lá ele permaneceu até 2016, dois anos após os escândalos da Lava Jato atingirem duramente seu partido. 

Ocorre, porém, que os adversários não sabem explorar seus pontos fracos e erram diariamente. Nenhum deles mais do que o PT, que insiste na candidatura impossível de alguém preso, condenado por corrupção e inelegível por força de uma lei que seu próprio governo sancionou. Ainda que seja um direito do partido persistir no erro, é temerária a estratégia de tentar melar alianças de outras legendas do campo político.

O PT, porém, pode ajudar ainda mais Jair Bolsonaro, caso consiga viabilizar uma candidatura que tome a vaga do segundo turno de algum outro nome razoavelmente identificado com a esquerda, mas que ainda mantenha pontes com outros setores, como são os casos de Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede). Os dois têm mais chance de derrotar Bolsonaro justamente por conseguirem agregar mais do que a parcela declaradamente de esquerda nas eleições, representativa no primeiro turno, mas provavelmente minoritária em segunda etapa, principalmente após os escândalos que o próprio PT estrelou. O candidato do PSL obviamente torce para que um petista teimoso tome a vaga de Ciro ou Marina, pois só nessa hipótese seria efetivamente favorito, a despeito do radicalismo que grande parte do eleitorado enxerga em suas posições.

De outro lado, PSDB e os partidos de centro batem cabeça justamente por não encontrarem um candidato que una pelo menos uma parcela relevante deles em um projeto que permita de fato representar uma alternativa à rejeição de parte do eleitorado à esquerda e o pavor da vitória de alguém com posições antidemocráticas e pouco afeitas ao mundo moderno.

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