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Vittorio Medioli

As dignidades

PUBLICADO EM 09/06/19 - 04h30

A mediocridade das escolhas deixou o país muito menor e injusto de quanto seu tamanho lhe possibilitaria. Injusto em gênero e grau correspondentes aos erros e omissões que se acumularam em cinco séculos de história e de oportunidades perdidas.

A educação de péssima qualidade, não paira dúvida, está na base dos maiores problemas.

Nas últimas semanas, abordei aqui os incríveis avanços de algumas nações que souberam se reinventar, como China e Índia, que, embora com seus bilhões de habitantes, estão em marcha firme para atingir o topo do ranking das economias mundiais. Uma preocupação que nunca se colocou o Brasil, país com 50 milhões de seres humanos abaixo da linha da miserabilidade e 13 milhões de desempregados. O avanço dos países asiáticos se alicerça na melhoria e ampliação da educação, da formação profissional das novas gerações. Expandiu-se a capacidade cerebral coletiva da nação, e disso se encontraram soluções eficientes.

A difusão do “saber” com um governo de princípios, planos e metas traçadas levou a China, em três décadas, de uma renda per capita de US$ 400 para US$ 16 mil. O país contava com 77% de todos os pobres do planeta, caindo agora para o patamar de 14%. No nosso continente, por sua vez, o Chile deu passos de gigante para a frente, e a Venezuela, a maior possuidora de reservas petrolíferas do planeta, para trás, estacionando no fundo do poço.

O Brasil estampa em sua bandeira a ordem e o progresso, palavras-chave que a China e o Chile souberam praticar.

O Brasil faz festa e Carnavais como ninguém, mas não sabe tocar reformas que lhe garantiriam superar todos os seus problemas e tirá-lo da rota do caos.

Com tendência patológica ao deslumbre faraônico, que nenhum outro país ousaria praticar, o Brasil é o maior produtor de privilégios por meio de recursos públicos, embora mais de 50 milhões de pessoas aguardem oportunidades de sair da miséria.

Austeridade, probidade, honestidade ficam no discurso de campanha e nas promessas. O Brasil abriga 80% dos sindicatos do planeta, mesmo com apenas 2,5% da população terrestre, e, ainda, concentra 98% das causas trabalhistas do mundo, um filão que, longe de fazer justiça, gerou um filão de negócios rentáveis de advocacia. Para consolidar a previsibilidade, centenas de milhares de entidades do terceiro setor, milhares de internautas fizeram do Brasil uma fábrica de fake news, achaques e confusões, anulando grande parte da utilidade das redes sociais.

O Brasil dispõe de uma vocação imponente para fraude, ou vulgarmente para maracutaias, como batizou o “avatar” Lula.

Uma combinação de esperteza, cinismo, fraude, dissimulação, corrupção, trapaça, os erários são galinheiros aos cuidados de raposas.

Os principais partidos das últimas décadas, aqueles dos mensalões e do petrolão, se uniram para tirar o Coaf do controle de Sergio Moro, numa cabal demonstração de “quem deve teme”.

Nos últimos dias tomou os noticiários mais um capítulo da delação de Marcelo Odebrecht, que revela ter pagado aos caciques do Congresso a propina de R$ 63 milhões para acelerar um empréstimo de R$ 1 bilhão do BNDES para o governo de Angola, país onde executa obras absurdamente superfaturadas.

Mais Obebrecht com o pedido de recuperação judicial da Atvos por R$ 12 milhões, pleito que tenta acelerar a liberação de empréstimos do BNDES de R$ 20 bilhões para rolar outros R$ 80 bilhões que recebeu distribuindo favores e propinas.

Nessa situação de desesperança por que passa a nação, podemos recorrer ao “doutor iluminado”, como era apelidado o espanhol Ramon Llull. No “Ars Brevis”, escrito em 1308, Llull traça com clareza o caminho da evolução e da possibilidade de os homens ajudarem a evoluir a humanidade. Esse “guerreiro” dever conter em si os nove princípios divinos (dignidades), originários de toda a realidade, a saber: Bondade, Magnitude, Eternidade, Poder, Sabedoria, Vontade, Virtude, Verdade e Glória. Pois – ele afirma – o que existe de bom aponta para a Grandeza como Deus e o anjo.

Lamentável assinalar que nos cargos mais importantes do país é raro encontrar uma dessas dignidades, quando todas as nove seriam imprescindíveis para realizar a missão.

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