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Vittorio Medioli

Ataque a Moro

PUBLICADO EM 07/07/19 - 04h30

O que poderá manter Sergio Moro no Ministério da Justiça, e ainda consagrá-lo herói internacional maior do que já é, será a conjuração de ações de seus inimigos para pintá-lo como impostor e incinerar a operação Lava Jato. À revelia dos elogios que chegaram a dar um raio de luz ao Brasil obscurecido por vexames, existem interesses financeiros incalculáveis. Ele incomodou como ninguém o “poder”.

O estigma de mocinho, defensor do povo maltratado por quadrilhas predadoras, confere-lhe o status de santo, de maior personalidade do país, com uma aura que se acentua e se ilumina a cada ataque. Seria de se estranhar o contrário: a indiferença dos atingidos pela Lava Jato.

O último golpe desferido a ele tem assinatura de uma revista nacional, que mudou de linha editorial concomitantemente com o controle assumido por um banqueiro.

A reportagem mostra o conteúdo de violação, “criminosa”, do sigilo telefônico dos procuradores de Curitiba e de Moro. Não parece capaz de derrubar Moro, como seria se fosse com um dos “tantos atores” do cenário político brasileiro. Certamente dará a ele trabalho, como é de se prever numa ação engendrada por tantos interessados do mundo dos negócios, das finanças, da política, e figuras proeminentes das últimas décadas.

Nunca na história nacional se deu uma frente tão unida e poderosa para demolir um só cidadão.

Tirar Moro de cena, ou até promovê-lo a ministro do STF, significa salvar os envolvidos nos mensalões e petrolão e impedir a recuperação, ainda não consumada, de bilhões de reais amoitados pelo mundo afora.

Qualquer ação que diminua a imagem de Moro serve para enfraquecer as dezenas de processos penais que ele levou a termo em primeira instância. Vale munição aos investigados que não têm outro argumento prestável para se defender.

Os esforços miram tirar da prisão condenados, encerrar as delações que ainda são aguardadas, como de Eduardo Cunha e Sérgio Cabral, anistiar os bilhões de dólares que podem ser recuperados, passar uma pá de cal no maior escândalo de corrupção de todos os tempos. Enfim, reconstruir a máquina de delinquência que destroçou a economia do Brasil.

Mais ainda que Jair Bolsonaro, a figura de Sergio Moro representa um obstáculo e uma ameaça ao mecanismo que ficou enjaulado pela Lava Jato.

O Congresso mostrou que majoritariamente é contra o ministro, já que retirou o Coaf – ente cuja inoperância no passado permitiu desviar tranquilamente bilhões de reais – do controle direto de Moro.

O sucesso colhido na posição de juiz federal não se repete num governo que, para funcionar, precisa de respaldo de um Legislativo “investigado”.

No país marcado a fogo pela prevaricação, malversação, corrupção exasperada, Moro é o acidente inesperado que deu um basta à orgia na mais alta estrutura pública e privada que gozava de “histórica” impunidade.

Moro se destaca por raras virtudes e uma coragem até então desconhecida no Brasil numa época de decomposição moral das lideranças.

O Brasil teve nele a figura do herói. O reconhecimento e o agradecimento de multidões que o consideram o símbolo de um Brasil decente corroerão quem o ataca. Se resistir numa posição de serenidade, em breve será reconhecível o contraste estridente entre sua firmeza e o desespero de quem quer diminuí-lo.

Os ataques a Moro estão mudando o modo de reagir de grande parte da população e unem instintivamente uma massa para a qual faltava um pretexto para se unir.

Esses episódios o firmam como fortíssimo candidato a qualquer cargo que venha a disputar.

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